Em Cruzeiro do Sul, interior do Acre, as famílias que estavam em abrigos devido à cheia do Rio Juruá já iniciaram o retorno para suas residências, mesmo com o manancial ainda acima da cota de transbordo, que é de 13 metros. Na medição desta quarta-feira, 6 de maio, o rio marcou 13,50 metros e segue em vazante pelo quarto dia consecutivo. Comparado ao dia anterior, o nível baixou 24 centímetros.
Desmobilização dos abrigos
A desmobilização começou na terça-feira, 5 de maio, com o retorno de 45 famílias. A ação teve início nas escolas Madre Adelgundes Becker, no bairro Miritizal, e Marcelino Champagnat, no bairro João Alves. Segundo a Defesa Civil Municipal, a expectativa é que as outras 20 famílias, que somam mais de oitenta pessoas, também retornem ainda nesta quarta-feira.
“Tem todo um prejuízo social, suspensão de aula, suspensão de atendimento nos postos de saúde e tudo isso precisa voltar à normalidade o quanto antes. Então, a gente está acelerando o processo, sabendo que as nossas previsões são que o rio ainda vai continuar em descensão”, explicou o coordenador do órgão, Damasceno Júnior.
Abrigos ainda ativos
Os abrigos que ainda abrigam famílias são: Escola Municipal Padre Arnoud (5 famílias), Escola Municipal Corazita Negreiros (6), Escola Municipal Thaumaturgo de Azevedo (1), Escola Municipal Terezinha Saavedra (6) e Escola Municipal Rita de Cássia (2). A escola Madre Adelgundes Becker, que abrigava 29 famílias indígenas da periferia, foi a primeira a ser desmobilizada.
A dona de casa Zeneide Kaxinawá expressou alívio: “Melhor estar em casa e estar trabalhando também. Aqui na escola estão precisando voltar ao trabalho e nós queremos ir para casa agora”.
Kits de limpeza e preparação
De acordo com Damasceno Júnior, algumas famílias já receberam kits de limpeza nos abrigos e puderam visitar suas casas para avaliar a situação. “E já começar uma limpeza, justamente para tentar colocar em normalidade a sua residência, o seu lar ali para ficar em uma situação mais tranquila”, destacou.
Histórico da cheia
O pico da cheia foi registrado na sexta-feira, 1º de maio, quando o rio atingiu 14,19 metros, superando pela segunda vez em menos de um mês a marca histórica de 14,15 metros. A cheia afetou 7.087 famílias em 12 bairros, 15 comunidades rurais e 4 vilas, totalizando mais de 28 mil pessoas. As maiores inundações em Cruzeiro do Sul ocorreram em 2017 (14,24 m), 2021 (14,36 m) e 2026.
O Rio Juruá está em vazante desde sábado, 2 de maio, quando marcou 14,17 metros. Em 8 de abril, famílias já haviam retornado após a quarta cheia, cujo pico foi de 14,15 m em 4 de abril. Porém, em 26 de abril, o rio voltou a subir, causando o quinto transbordamento e a reabertura de abrigos.
Devido às cheias, o governo do Acre decretou situação de emergência em seis municípios, publicado em edição extra do Diário Oficial do Estado em 5 de abril e reconhecido pelo governo federal uma semana depois.



