Pai recorre a carriola para superar lama e garantir educação dos filhos em Rio Preto
Em um cenário de desafios urbanos, um pai demonstrou resiliência ao utilizar uma carriola para atravessar ruas cobertas de barro no bairro Estância São Pedro 3, em São José do Rio Preto (SP). A ação foi necessária para levar seus dois filhos, com idades de quatro e cinco anos, ao ponto de ônibus escolar durante um dia chuvoso nesta quinta-feira (12). A situação, que se tornou recorrente em períodos de clima instável, foi capturada em vídeo pela família e compartilhada com a TV TEM, destacando as dificuldades enfrentadas por moradores devido às condições precárias do terreno.
Desafios no acesso à educação e saúde
Segundo Rosicléia Oliveira, mãe das crianças, a van escolar que atende o bairro não consegue acessar o endereço da família por causa do estado da rua Jequitibá, repleta de lama e buracos. O pai, que optou por não ser identificado, encontrou na carriola a única alternativa viável para assegurar que os filhos frequentem as aulas regularmente. Um dos filhos, de cinco anos, possui diagnóstico de autismo nível dois de suporte, uma condição que exige acompanhamento especializado e uma rotina estruturada, tornando a ida à escola ainda mais crucial para seu desenvolvimento.
A família relata que já buscou soluções para o problema de acesso ao transporte, mas, até o momento, não houve avanços significativos. Em resposta, a prefeitura informou, por meio de nota, que existe a possibilidade de ampliar os pontos de parada no trajeto do transporte escolar para atender aos moradores. Além disso, em dias de chuva, o embarque e desembarque são realizados fora dos locais pré-determinados para evitar riscos de acidentes.
Problema se estende a bairro vizinho
A situação não se limita ao Estância São Pedro 3. Moradores do bairro próximo, Estância São Pedro 2, também enfrentam dificuldades semelhantes. Naiara Cristina da Silva relatou à TV TEM que as ruas, como a das Canelinhas, estão afetadas por buracos e entulhos, o que impede a passagem de veículos, incluindo ambulâncias. "Eles só espalham os entulhos pela rua, mas não passam a máquina para fixá-los. Quando chove forte, o material fica solto e a situação piora", afirmou ela, referindo-se a ações da prefeitura na semana passada.
Outras vias, como Jatobá, Aroeira, Pau-Brasil e Seringueira, também apresentam problemas, conforme apontado pelos residentes. A Secretaria de Serviços Gerais da prefeitura informou que incluiu as ruas dos bairros Estância São Pedro 2 e 3 na programação de serviços prioritários. No entanto, a execução das obras depende da redução da umidade do solo, o que só deve ocorrer após o término das chuvas, prolongando a espera por melhorias.
Impacto na comunidade e busca por soluções
Este caso ilustra os desafios mais amplos de infraestrutura urbana em áreas periféricas, onde a falta de manutenção adequada das vias pode comprometer o acesso a serviços essenciais, como educação e saúde. A persistência do problema, especialmente em condições climáticas adversas, levanta questões sobre a eficácia das políticas públicas locais e a necessidade de ações mais ágeis para garantir a mobilidade e segurança dos cidadãos.
Enquanto isso, famílias como a de Rosicléia continuam a buscar meios criativos para superar obstáculos, demonstrando a importância da resiliência comunitária diante de adversidades. A reportagem do g1 segue acompanhando o caso, com a expectativa de que as promessas da prefeitura se concretizem em melhorias tangíveis para os moradores afetados.
