Morador da Vila Rei engenha solução caseira para crise hídrica durante obras do Semae
O fornecimento de água e o trânsito na Vila Rei, em Mogi das Cruzes, passam por transformações significativas devido a intervenções na rede de abastecimento executadas pelo Serviço Municipal de Águas e Esgotos (Semae). Ao longo de um período de 30 dias, a autarquia municipal realizará obras pontuais e esporádicas na distribuição hídrica da região, sem que haja alterações diárias.
Obras visam melhorar estabilidade no abastecimento
Conforme informações da Prefeitura de Mogi das Cruzes, a primeira etapa das intervenções foi concluída nesta semana. O projeto inclui a execução de novas interligações e a instalação de registros, com o objetivo principal de aprimorar a estabilidade da distribuição de água no bairro Vila Rei e em parte do Mogi Moderno.
As obras estão concentradas nos pontos mais elevados da região, onde a escassez hídrica se manifesta com maior frequência, especialmente durante dias de calor intenso e consumo elevado.
Durante a realização dos serviços, a avenida Pedro Machado e as ruas Alves Porto, Oscar Tompson, Carlos Gomes e Eurotide Guimarães serão alvo de escavações. As interferências no tráfego veicular serão temporárias, podendo ocorrer interdições parciais nessas vias.
Recomendação oficial: instalação de caixas d'água
O diretor-geral do Semae, José Luiz Furtado, enfatiza a importância da instalação de reservatórios nos imóveis. "Quem não tem caixa d'água deve providenciar com urgência a instalação de um reservatório no imóvel, o que é fundamental para reduzir ou mesmo evitar transtornos em períodos de escassez de água", alerta Furtado.
O gestor ainda orienta que "a reserva de 200 litros para cada morador é suficiente. Assim, uma casa com cinco pessoas deve ter uma caixa com capacidade para, pelo menos, mil litros. Isso garante o abastecimento da residência por até 24 horas sem fornecimento de água pela rede".
Criatividade popular: sistema caseiro com tambores e motor
Moradores do bairro Vila Rei relatam enfrentar dificuldades crônicas com o abastecimento hídrico há anos. O piscineiro Milton Oliveira, residente na região há duas décadas, descreve a realidade local: "É comum ficar a noite inteira sem água, daí quando chega, vem muito fraquinha, de repente ela acaba de novo".
Oliveira detalha que "desde outubro do ano passado, piorou de vez a situação aqui. Começou a acabar praticamente quase todo dia". Para garantir as necessidades básicas de sua família, o morador desenvolveu uma solução engenhosa e caseira.
O sistema criado por Milton Oliveira consiste em quatro tambores de 100 litros cada, acoplados a um motor que impulsiona a água para a caixa d'água localizada no alto da residência. "Comprei quatro tambores de 100 litros e coloquei um motorzinho para mandar a água daqui de baixo para lá para cima. Então, quando a água chega, mesmo que pouca, a gente enche o tambor e manda a água lá para cima", explica.
O morador afirma que, sem essa adaptação, a família ficaria desabastecida quase diariamente. "No ano passado, do dia 23 até o dia 25, ficamos completamente sem água. Se não fosse esses tambores, eu não teria água no Natal. A casa ia estar cheia de gente e a gente não podia nem lavar uma louça?"
O processo opera de forma contínua para assegurar o abastecimento ininterrupto. "Quando a água volta, mesmo que pouco, dá tempo da gente encher os tambores e mandar a água lá para cima. Enquanto eles esvaziam com o motor, já vamos enchendo os outros", descreve Oliveira. "Quando tudo termina, temos a caixa e os tambores cheios, para não faltar".
Esta iniciativa caseira ilustra a resiliência e a criatividade da população local diante dos desafios estruturais no abastecimento hídrico, enquanto as obras do Semae buscam solucionar definitivamente os problemas na rede de distribuição.