Ciclofaixa em Cachoeirinha gera críticas por comprometer acessibilidade e segurança
Ciclofaixa em Cachoeirinha compromete acessibilidade e segurança

Ciclofaixa em Cachoeirinha gera críticas por comprometer acessibilidade e segurança

A implementação de uma ciclofaixa em Cachoeirinha, na Região Metropolitana de Porto Alegre, tem sido alvo de reclamações de moradores, ciclistas e pessoas com deficiência. A pintura vermelha, que indica o espaço destinado aos ciclistas, foi aplicada em trechos problemáticos, incluindo sobre piso tátil e rampas para cadeirantes, gerando preocupações com a mobilidade urbana.

Problemas de planejamento e segurança

O artesão Nei Bohrer destaca que a passagem é estreita e mal planejada, criando riscos para os ciclistas. "Tem que arrumar melhor para o ciclista aqui. Esse trechinho está bem ruim. É perigoso, tem que estar sempre se cuidando", afirma. Pedestres também relatam insegurança, como a operadora de máquina Renata Batista, que menciona a dificuldade ao descer do ônibus e encontrar bicicletas passando rapidamente. "Não ficou acessível para quem é pedestre", diz ela.

Além disso, a ciclofaixa passa diante de portas de lojas, aumentando o risco de acidentes. O engenheiro mecânico Giovane Roman alerta: "Agora, até para sair da porta temos que cuidar de bicicletas que passam rapidamente. Traz mais risco, porque as portas já saem praticamente em cima da ciclovia".

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Comprometimento da acessibilidade

Um dos pontos mais críticos é a pintura sobre o piso tátil, essencial para a locomoção de pessoas cegas ou com baixa visão. Glailton Winckler, presidente da Associação de Pessoas Cegas e com Baixa Visão do Rio Grande do Sul (Acergs), avalia que houve um erro técnico grave. "Existe um erro técnico muito grave. Acabaram com a principal referência para a locomoção das pessoas com deficiência visual".

Celanira Barboza, professora e instrutora de orientação e mobilidade da Acergs, reforça que o piso tátil precisa de cor contrastante para ser identificado. "Tem duas cores vibrantes, uma em cima da outra, vai dificultar bastante para quem tem baixa visão", explica.

Infraestrutura inadequada e divergências

Em outro trecho, um poste de energia elétrica divide a ciclofaixa, em uma área com alto fluxo de veículos do distrito industrial. A prefeitura informa que 99% do projeto está concluído, mas há divergências sobre a responsabilidade pelas irregularidades.

Cláudio Ávila, assessor especial do gabinete da prefeita, afirma que parte da sinalização foi removida para correção e que a prefeitura pretende remover a pintura irregular. No entanto, ele alega que a empresa responsável deveria ter notificado o município sobre a impossibilidade técnica. "Caberia à empresa notificar o município e não fazer o que fez lá", diz Ávila.

Por outro lado, a empresa afirma que comunicou a prefeitura em janeiro. O engenheiro Álvaro da Silva Marques diz que a dimensão da ciclovia foi obedecida conforme o projeto e que aguarda retorno sobre o piso tátil. "Comunicou a prefeitura, e a prefeitura não fez nenhuma ação diferente de proibir, por exemplo, de pintar".

Posicionamento do governo federal

O Ministério das Cidades informou que compete à prefeitura fiscalizar e pedir mudanças no projeto quando forem constadas irregularidades. O governo federal acrescenta que não havia previsão de implementação da obra sobre o piso tátil e que a solução adequada é reinstalar o piso em outro local para garantir acessibilidade.

Esta situação em Cachoeirinha destaca a importância de um planejamento urbano que equilibre a mobilidade de ciclistas, pedestres e pessoas com deficiência, evitando conflitos e garantindo segurança para todos os usuários do espaço público.

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