Belém implanta jardins de chuva como solução natural contra alagamentos urbanos
Belém implanta jardins de chuva contra alagamentos urbanos

Belém adota jardins de chuva como solução natural contra alagamentos urbanos

A Prefeitura de Belém deu início a um projeto inovador de implantação de jardins de chuva em diferentes regiões da capital paraense, visando reduzir os problemas de alagamentos que afetam a população. A iniciativa é coordenada pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma) e integra um conjunto de medidas conhecidas como soluções baseadas na natureza.

O conceito de cidade-esponja em ação

Os jardins de chuva seguem o conceito de "cidade-esponja", que propõe transformar espaços urbanos em áreas capazes de absorver e reter a água da chuva, em vez de permitir seu escoamento rápido pelas ruas. Segundo Bárbara Paiva, doutoranda em resiliência climática e assessora técnica da Semma, "essas soluções transformam a cidade em uma espécie de 'esponja'. A água deixa de ser apenas um problema e passa a ser gerida de forma que protege o solo, reduz enchentes e ainda melhora a qualidade de vida e o conforto térmico da população".

Como funcionam os jardins de chuva

Os jardins são instalados em locais anteriormente impermeáveis, como trechos de calçadas e vias. A água da chuva é direcionada para esses espaços, onde infiltra lentamente no solo. Com isso:

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram
  • Diminui o volume que corre pelas ruas, principal causa de pontos de alagamento
  • Parte das impurezas é filtrada antes de a água chegar aos canais urbanos

As intervenções utilizam camadas de solo drenante, proteção com pedras nos pontos de entrada e saída da água e cobertura vegetal. Quando necessário, são conectadas à rede de drenagem já existente.

Locais de implementação em Belém

Os primeiros jardins de chuva estão sendo implantados em:

  1. Rua dos Mundurucus com a travessa Quintino Bocaiúva
  2. Avenida Marechal Hermes, ao lado do Porto Futuro
  3. Travessa Rui Barbosa com a avenida Gentil Bittencourt, ao lado do Centur
  4. Travessa Quintino Bocaiúva com a avenida Conselheiro Furtado

Componentes adicionais do projeto

Além dos jardins de chuva, o projeto inclui outras estruturas:

  • Canteiros pluviais e biovaletas: ajudam a direcionar e filtrar a água
  • Bacias de retenção: armazenam temporariamente grandes volumes durante chuvas intensas
  • Bacias e poços de infiltração: devolvem a água ao solo e ajudam a manter a umidade da terra

Impactos esperados e benefícios

Entre os principais efeitos previstos pela prefeitura estão:

  • Redução de alagamentos e enchentes em áreas críticas da cidade
  • Melhoria da qualidade da água nos canais urbanos
  • Criação de novos espaços verdes e promoção do conforto térmico
  • Aumento da biodiversidade, com plantio de espécies nativas adaptadas a períodos de seca e alagamento
  • Educação ambiental e participação comunitária, envolvendo moradores na manutenção e valorização dos espaços

Espécies vegetais utilizadas

O projeto inclui o plantio de espécies nativas bem adaptadas às condições locais, como:

  • Helicônia
  • Cana-da-índia
  • Tajá
  • Inhame
  • Petúnias selvagens
  • Grama-amendoim

Origem do conceito e perspectivas futuras

O conceito de "cidade-esponja" foi desenvolvido pelo arquiteto chinês Kongjian Yu e já é aplicado em diversas cidades pelo mundo. A ideia combina áreas verdes, pisos permeáveis e espaços públicos capazes de armazenar água temporariamente durante temporais, reduzindo os impactos das chuvas intensas.

Em Belém, a expectativa é que as estruturas ajudem a cidade a se adaptar melhor às mudanças climáticas, sem substituir as obras tradicionais de macrodrenagem e saneamento. A proposta também envolve moradores na conservação dos espaços e pode ser expandida para outros bairros da capital paraense.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar