UFSCar Sorocaba testa sementes nativas para resistência às mudanças climáticas
UFSCar testa sementes contra mudanças climáticas em Sorocaba

Laboratório da UFSCar em Sorocaba testa resistência de sementes nativas ao clima futuro

Em meio ao aumento global das temperaturas, um laboratório especializado da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), localizado no campus de Sorocaba, no interior de São Paulo, tem se tornado um centro estratégico para compreender o destino das florestas brasileiras diante das transformações climáticas. O espaço dedica-se a testes meticulosos com espécies nativas de diversas regiões do país, avaliando sua capacidade de sobrevivência nas próximas décadas.

Testes rigorosos simulam cenários futuros

O Laboratório de Sementes e Mudas Florestais (LASEM) abriga aproximadamente 250 espécies vegetais, provenientes desde o Parque Indígena do Xingu, no Mato Grosso, até áreas do interior paulista. Segundo o pesquisador Lindomar Alves de Souza, doutor em planejamento de recursos renováveis e engenheiro florestal, a questão central é determinar quais espécies resistirão ao clima projetado para o planeta.

"Quando elas chegam aqui, a primeira pergunta é: quais espécies resistirão ao futuro climático do planeta? Nós colocamos essas espécies em diferentes temperaturas, como 40°C, 35°C e 25°C, para entender como elas vão responder ao aumento global", explica Souza. O objetivo vai além da observação imediata, projetando cenários de longo prazo para os próximos 50 a 100 anos.

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Processo de seleção e germinação

As sementes recebidas passam por uma triagem minuciosa, onde exemplares quebrados, vazios ou de baixa qualidade são descartados. Apenas aquelas com potencial comprovado seguem para análise. "A seleção é primordial. É o momento em que garantimos que apenas sementes de qualidade vão para os testes", enfatiza o pesquisador.

Posteriormente, realizam-se testes de germinação utilizando dois métodos distintos: papel e vermiculita, um substrato similar à areia. A comparação entre as técnicas permite identificar qual apresenta melhor desempenho para cada espécie específica. "O produtor precisa saber se coletou no momento certo e se o processo foi bem feito. O índice de germinação indica isso e impacta diretamente na qualidade e no valor da semente", detalha Lindomar.

Desenvolvimento de protocolos científicos

Os resultados dos testes são devolvidos aos produtores, que replicam os processos em seus viveiros. Embora a maioria dos experimentos siga protocolos técnicos estabelecidos, quando uma espécie não possui parâmetros definidos na literatura científica, o próprio laboratório desenvolve metodologias inéditas.

"Quando não encontramos na literatura, criamos nosso protocolo, publicamos e isso vira referência para outros laboratórios. Esse processo também contribui para o avanço científico, inclusive com a descoberta de novas espécies", afirma o pesquisador. Essa iniciativa fortalece a pesquisa nacional e estabelece padrões para futuros estudos.

Técnica de miniestaquia acelera restauração

Outro projeto significativo desenvolvido no laboratório é a miniestaquia, técnica que permite replicar plantas a partir de pequenos fragmentos de 5 a 8 centímetros. Brotos de plantas matrizes são coletados, preparados e mantidos em ambientes controlados com temperatura e umidade ideais para enraizamento.

Originalmente comum no cultivo de eucalipto, o método vem sendo adaptado para espécies nativas com resultados expressivos. "Um dos destaques é a Trema micrantha, que apresentou mais de 75% de taxa de enraizamento. Em cerca de 120 dias, as mudas já podem ser levadas para o plantio", revela Lindomar. Esta espécie de crescimento rápido atrai fauna, auxilia na restauração de áreas degradadas e possui potencial medicinal em estudo.

Previsão científica para as florestas brasileiras

Entre testes, protocolos e inovações, o laboratório funciona como uma ferramenta de previsão científica para as florestas brasileiras, analisando como cada espécie reage às mudanças climáticas. "Com esse laboratório, ajudamos a orientar projetos de reflorestamento e conservação. Pois o que está em jogo vai muito além da germinação de sementes, mas da sobrevivência de várias espécies e ecossistemas", conclui o pesquisador.

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O trabalho realizado na UFSCar Sorocaba representa um esforço crucial para garantir a resiliência dos biomas nacionais frente ao aquecimento global, combinando pesquisa acadêmica rigorosa com aplicações práticas para a preservação ambiental.