Rios da Mata Atlântica em situação crítica: relatório aponta estagnação na qualidade da água
Rios da Mata Atlântica em situação crítica: qualidade da água estagnada

Rios da Mata Atlântica em situação crítica: relatório aponta estagnação na qualidade da água

A qualidade da água nos rios da Mata Atlântica permanece estagnada em níveis considerados insatisfatórios, sem avanços significativos nos últimos anos. É o que revela o relatório Observando os Rios 2026, divulgado pela Fundação SOS Mata Atlântica, com base em análises realizadas ao longo de 2025. Segundo o estudo, nenhum dos 162 pontos avaliados apresentou qualidade considerada ótima, configurando um cenário preocupante para a biodiversidade e as comunidades que dependem desses recursos hídricos.

Distribuição alarmante das classificações

A maior parte dos pontos monitorados, equivalente a 78,4%, foi classificada como regular, enquanto 15,4% tiveram resultado ruim e 3,1% foram considerados péssimos. Apenas 3,1% alcançaram nível bom, demonstrando que os rios não pioram de forma generalizada, mas seguem distantes de qualquer recuperação consistente. O retrato nacional evidencia um problema estrutural, diretamente ligado à combinação entre saneamento precário, urbanização desordenada e degradação ambiental.

Tietê: símbolo da degradação hídrica urbana

O caso do rio Tietê, principal símbolo da degradação hídrica urbana no país, ilustra essa estagnação de maneira contundente. O relatório aponta piora em trechos monitorados na região metropolitana de São Paulo, como em Guarulhos e Santana de Parnaíba. Mesmo após décadas de investimentos em despoluição, o rio segue vulnerável à pressão urbana, com lançamento de esgoto, poluição difusa e perda de áreas de proteção.

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A avaliação indica que a recuperação do Tietê depende não apenas de obras de saneamento, mas também de ações como recomposição de matas ciliares e controle da ocupação do solo — medidas que avançam lentamente. Outros rios emblemáticos da capital paulista permanecem entre os piores do país, com trechos dos rios Pinheiros e Jaguaré continuando classificados como péssimos, sem melhora em relação ao ano anterior.

Avanços pontuais e retrocessos preocupantes

Embora raros, alguns casos indicam que a recuperação é possível quando há intervenções adequadas. O rio Capivari, em Florianópolis, apresentou melhora após ações locais de regularização de ligações de esgoto. Em Ilhabela, no litoral paulista, o córrego Itaguaçu/Itaquanduba também teve avanço com a expansão da rede de coleta. Já o rio Betume foi o único a subir de regular para bom, resultado associado tanto a melhorias ambientais quanto a maior precisão nas medições.

Em sentido oposto, intervenções urbanas e eventos ambientais recentes contribuíram para a piora em alguns rios. Na região de Aracaju, os rios Sergipe e do Sal tiveram queda na qualidade, associada a obras de infraestrutura e impactos sobre manguezais. No Rio de Janeiro, o rio Trapicheiros perdeu qualidade após um incêndio florestal que reduziu seu volume de água e comprometeu a capacidade de diluição de poluentes. Em Pernambuco, o rio Jaboatão passou de regular para ruim, possivelmente afetado por chuvas intensas que carregaram sedimentos e resíduos para o leito.

Contexto nacional e pressões climáticas

Os exemplos ajudam a explicar o diagnóstico geral: a qualidade da água no país é resultado direto da combinação entre saneamento precário, urbanização desordenada e degradação ambiental. Hoje, menos da metade da população brasileira tem acesso à coleta e tratamento de esgoto, e cerca de 35 milhões de pessoas ainda não contam com água potável. Mesmo onde há investimentos, como no caso do Tietê, os resultados são limitados sem políticas integradas de longo prazo.

O relatório também alerta que as mudanças climáticas tendem a agravar esse cenário. Secas reduzem a vazão e concentram poluentes; chuvas intensas aumentam o carreamento de resíduos. Nesse contexto, a preservação da Mata Atlântica é vista como essencial para garantir segurança hídrica e reduzir riscos. A conclusão do estudo é direta: sem avanço consistente em saneamento e proteção ambiental, os rios brasileiros devem permanecer presos a esse ciclo de degradação lenta.

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