Muralha de 15 km no Cerrado: mistério geológico com pedras vulcânicas e 'óleo de baleia'
Muralha no Cerrado: mistério geológico com pedras vulcânicas

Muralha de 15 km no Cerberto: mistério geológico com pedras vulcânicas e 'óleo de baleia'

A impressionante muralha de 15 quilômetros, construída com pedras vulcânicas e uma substância que lembra óleo de baleia, localizada em Paraúna, na região oeste de Goiás, continua a despertar curiosidade e debates científicos. Segundo o pesquisador e geólogo Silas Gonçalves, essa atração turística, que se tornou um verdadeiro enigma no município, pode ter surgido de forma completamente natural.

Origem vulcânica de mais de 130 milhões de anos

Em entrevista ao g1, Silas Gonçalves detalhou que a formação rochosa nasceu de um dos maiores eventos vulcânicos continentais conhecidos, associado à fragmentação do supercontinente Gondwana e à abertura do Oceano Atlântico Sul, há mais de 130 milhões de anos. "Esse evento originou a Província Magmática Paraná, responsável pela emissão de grandes volumes de lava basáltica que recobriram extensas áreas do sul e centro do Brasil", explicou o especialista.

Após o resfriamento, o material transformou-se em basalto, uma rocha vulcânica que apresenta fraturas conhecidas como juntas de resfriamento. Os blocos que compõem a muralha ficam segmentados naturalmente devido a esse processo. Para Silas, esse aspecto também está relacionado à atuação da natureza, pois o desgaste erosivo revelou o alinhamento dos blocos vulcânicos, resultando no relevo linear característico da muralha.

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Os cinco fatores naturais que explicam a formação

O geólogo enumerou os elementos que, combinados, resultaram na muralha observada hoje:

  1. Derrames basálticos cretáceos: grandes volumes de lava que se espalharam pela superfície há milhões de anos e depois endureceram, formando o basalto.
  2. Fraturamento térmico do basalto durante o resfriamento: quando essa lava esfriou, ela encolheu e acabou rachando naturalmente.
  3. Fraturas poliédricas no basalto: essas rachaduras formaram blocos com vários lados, de aspecto geométrico, em vez de pedras irregulares.
  4. Controle estrutural de lineamento geológico NE, NW: as direções dessas fraturas seguem padrões do próprio terreno, alinhadas em sentidos específicos como nordeste e noroeste.
  5. Erosão diferencial entre basaltos e rochas sedimentares encaixantes: com o tempo, as partes mais frágeis ao redor foram se desgastando mais rápido, deixando o basalto mais resistente em destaque.

O mistério do 'óleo de baleia'

Em relação à substância que lembra óleo de baleia, o coordenador da unidade de conservação do Parque Estadual de Paraúna (PEPa), Danilo Lessa, afirmou que pesquisadores atuais acreditam que se trata, na verdade, de um dique de diabásio. Esta é uma rocha fundida (magma) que escoou pelas fissuras e se solidificou no interior das fendas da muralha, criando a aparência enigmática que alimentou teorias ao longo dos anos.

Paraúna: o Machu Picchu goiano com belezas além da muralha

Conhecido como Machu Picchu de Goiás, o Parque Estadual de Paraúna situa-se aproximadamente 160 km de Goiânia e, em 2025, teve sua área de preservação ampliada em 29,5%, passando de 3.250 hectares para 4.208,77 hectares, após a sanção de uma lei estadual. Além do fascínio da Muralha de Ferro, a região oferece outras atrações impressionantes:

  • Cachoeira do Desengano: considerada uma das mais bonitas pelos visitantes.
  • Formações rochosas únicas: com formatos de tartaruga, cálice, chapéu e outras figuras intrigantes.
  • Pedra da Bigórna: outro ponto de interesse geológico e turístico.

Como visitar o parque e suas maravilhas

De acordo com o Governo de Goiás, o principal acesso ao parque é pela GO-411. Após acessar a rodovia, a entrada da unidade de conservação é indicada por placas e fica a cerca de 30 quilômetros da cidade de Paraúna. Para chegar às formações geológicas, os visitantes precisam percorrer uma distância de aproximadamente um quilômetro a pé. O PEPa possui altitudes que variam entre 690 e 890 metros acima do nível do mar e está aberto ao público diariamente, com visitas permitidas entre 7h e 17h.

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Esta joia natural no coração do Cerberto continua a encantar turistas e desafiar pesquisadores, revelando segredos geológicos de eras passadas enquanto se consolida como um destino imperdível para quem busca conexão com a história profunda da Terra.