Muralha de 15 km no Cerrado: mistério de pedras vulcânicas e 'óleo de baleia' em Goiás
Muralha de 15 km no Cerrado: mistério em Goiás

Muralha de 15 km no Cerrado: mistério de pedras vulcânicas e 'óleo de baleia' em Goiás

Na região oeste de Goiás, um enigma histórico e geológico desafia especialistas. Localizada na cidade de Paraúna, uma impressionante muralha de pedra se estende por 15 quilômetros, composta por basalto negro, rochas vulcânicas e uma substância que, durante décadas, foi identificada como óleo de baleia. A Prefeitura de Paraúna reconhece que a origem exata da formação permanece desconhecida, gerando debates acalorados entre pesquisadores.

Teorias sobre a origem: humana versus natural

Enquanto uma corrente de estudiosos defende que a muralha pode ter sido erguida por mãos humanas, possivelmente servindo como divisão entre civilizações antigas como Incas e Maias, outra vertente acredita que se trata de um fenômeno natural muito mais antigo. O geólogo Silas Gonçalves apresentou uma explicação que remonta a um período entre 135 e 130 milhões de anos atrás.

"Esse evento originou a Província Magmática Paraná, responsável pela emissão de grandes volumes de lava basáltica que recobriram extensas áreas do sul e centro do Brasil", explicou o especialista, relacionando a formação a um dos maiores eventos vulcânicos continentais conhecidos, associado à fragmentação do supercontinente Gondwana e à abertura do Oceano Atlântico Sul.

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Processos naturais que explicam a formação

Após o resfriamento, a lava se transformou em basalto, desenvolvendo fraturas conhecidas como juntas de resfriamento. O desgaste natural pela erosão expôs o alinhamento dos blocos vulcânicos, criando o relevo linear que se assemelha a uma muralha construída. Gonçalves destacou que a formação observada não se encaixa em padrões artificiais, sendo resultado de:

  • Derrames basálticos cretáceos: grandes volumes de lava que se espalharam pela superfície há milhões de anos;
  • Fraturamento térmico do basalto durante o resfriamento: contração natural que gerou rachaduras;
  • Fraturas poliédricas no basalto: que formaram blocos com aspectos geométricos;
  • Controle estrutural de lineamento geológico NE, NW: padrões alinhados com o terreno;
  • Erosão diferencial entre basaltos e rochas sedimentares: desgaste seletivo que destacou o basalto mais resistente.

O mistério do 'óleo de baleia' esclarecido

Danilo Lessa, coordenador da unidade de conservação, esclareceu que a substância identificada historicamente como óleo de baleia é, na verdade, dique de diabásio – rocha derretida que escorreu pelas rachaduras e resfriou dentro das fendas da muralha. "Esses processos são comuns em áreas vulcânicas e podem produzir alinhamentos rochosos que lembram estruturas construídas", reforçou o geólogo.

Atrações do Parque Estadual de Paraúna (Pepa)

A muralha não é o único atrativo do local. O parque, formado pela Serra das Galés e pela Serra da Portaria, oferece:

  1. Cachoeiras deslumbrantes, como a Cachoeira do Desengano, considerada uma das mais belas e acessível sem necessidade de guia;
  2. Formações rochosas com formatos peculiares, incluindo figuras que lembram tartaruga, cálice, chapéu e ferramentas;
  3. Registro histórico de dinossauros: em 2021, pesquisadores descobriram na Serra da Portaria um dente de dinossauro terópode, confirmando a presença desses animais na região.

O parque está aberto ao público, com visitas recomendadas entre 7h e 17h. Embora não seja obrigatória a contratação de guias, sua presença é aconselhada por questões de segurança. Essa joia geológica no coração do Cerrado continua a fascinar visitantes e cientistas, unindo belezas naturais a mistérios ancestrais.

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