Outono começa com menor nível de abastecimento em SP desde 2017, alerta Sabesp
Menor nível de abastecimento em SP desde 2017 preocupa

Outono inicia com situação crítica nos reservatórios de São Paulo

O outono começou nesta sexta-feira, 20 de março, com o menor nível de abastecimento do sistema integrado que abastece a região metropolitana de São Paulo desde 2017. Segundo dados da Sabesp, o sistema opera com apenas 56% da capacidade total, um volume que só é superior ao registrado em 2016, quando o período seco se iniciou com 46%.

Recuperação parcial após verão chuvoso

O verão marcado por chuvas na Grande São Paulo ajudou a recuperar parcialmente os níveis das represas que abastecem a capital. No início do verão, em dezembro do ano passado, o sistema integrado — formado por sete mananciais: Alto Tietê, Cantareira, Cotia, Guarapiranga, Rio Claro, Rio Grande e São Lourenço — operava com apenas 27% da capacidade.

A recuperação foi puxada principalmente por reservatórios como a Guarapiranga, que hoje está com 93% da capacidade, e a Billings. No entanto, a melhora não foi suficiente para normalizar a situação de todos os sistemas.

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Sistema Cantareira ainda abaixo do ideal

O Sistema Cantareira, responsável por abastecer cerca de 8,8 milhões de pessoas, continua operando em níveis preocupantes. Atualmente, está com 43% da capacidade, enquanto no início do verão o índice era pouco acima de 20%.

O volume atual também é inferior ao registrado em anos anteriores. Nesta mesma época, o Cantareira estava com quase 80% em 2023 e cerca de 60% em 2025, demonstrando uma tendência de queda que acende alertas.

Preocupação com o período seco que se aproxima

A chegada do período seco, que vai de abril a setembro, aumenta a preocupação dos especialistas. Na região do Cantareira, chove em média 360 milímetros durante esses meses. Projeções do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) indicam que, mesmo com chuvas dentro do esperado, o sistema deve terminar setembro na faixa de alerta, com no máximo 40% da capacidade.

Desafios estruturais persistem

Especialistas avaliam que, embora o sistema de abastecimento esteja mais preparado para períodos de escassez, ainda há desafios estruturais significativos. Segundo a SOS Mata Atlântica, perdas por vazamentos e furtos de água chegam a quase 30% do total distribuído.

Além disso, há a necessidade de buscar água cada vez mais longe devido à poluição dos rios da capital, o que aumenta os custos e a complexidade do abastecimento.

Resposta das autoridades

Procurada, a Sabesp indicou a SP Águas, agência do governo estadual responsável pela gestão dos recursos hídricos. A diretoria reconheceu que o outono deve ser mais quente e seco do que o normal e afirmou que há campanhas de economia de água em andamento.

Também foram mencionados investimentos para reduzir perdas na distribuição e melhorar a qualidade dos rios da região metropolitana. As autoridades reforçam a importância do uso consciente da água pela população durante este período crítico.

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