Incêndio de grandes proporções devasta 3 mil hectares no PA Nova Amazônia em Roraima
Um incêndio de grandes proporções continua ativo no Projeto de Assentamento (PA) Nova Amazônia, localizado na zona rural de Boa Vista, capital de Roraima. O fogo começou no sábado (14) e seguia em atividade até esta segunda-feira (17), mobilizando equipes de combate e moradores da região em um esforço conjunto para controlar as chamas.
Cerca de 3 mil hectares foram completamente queimados pelo incêndio, conforme os primeiros levantamentos. A área afetada inclui extensas plantações e regiões que estavam preparadas para o cultivo, representando um duro golpe para a agricultura local. A fumaça intensa gerada pelas chamas também comprometeu severamente a visibilidade em diversos trechos da região, criando condições perigosas para o tráfego e a população.
Combate ao fogo e novos focos
De acordo com o Corpo de Bombeiros Militar de Roraima, as equipes atuaram em múltiplas ocorrências na área rural entre a tarde de sábado e a madrugada de domingo. Apesar dos esforços, novos focos de incêndio foram identificados ainda na manhã de domingo, após um acionamento da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Os agentes da PRF avistaram as chamas às margens da BR-174, uma das principais rodovias da região.
"É muito vento, muito quente. Nessa época do ano é complicado. A gente faz o possível para conter, mas é difícil", explicou o brigadista João Vitor Feitosa, que está na linha de frente do combate às chamas. Felizmente, até o momento, não há registros de pessoas feridas ou animais mortos em decorrência do incêndio. Os danos confirmados são predominantemente ambientais e econômicos, com impactos significativos para a produção agrícola local.
Prejuízos em fazendas e pequenas produções
O brigadista João Vitor Feitosa detalhou que aproximadamente 220 hectares de eucalipto foram atingidos em propriedades da região. "Totalizando, a área de eucalipto é aproximadamente 220 hectares. Foram três fazendas atingidas. A gente conseguiu salvar uma parte com o contrafogo", afirmou. Produtores rurais expressaram grande preocupação com o avanço do fogo e os prejuízos acumulados.
O agricultor Luiz Gustavo, que se preparava para iniciar o plantio de soja, destacou que o incêndio comprometeu investimentos consideráveis no solo. "O fogo acaba queimando a cobertura do solo e a gente perde muito dinheiro. Isso impacta diretamente a produção", lamentou. Ele também mencionou que os produtores estão se unindo para tentar impedir a propagação das chamas, com ações como a abertura de aceiros.
Além das grandes áreas, pequenas produções também sofreram danos significativos. O produtor José Eduardo Franco da Silva relatou prejuízos no sistema de irrigação de sua plantação de melancia. "Queimou as fitas de irrigação. A plantação não chegou a ser atingida, mas deu prejuízo", disse. Moradores da região, como a agricultora Rocicleida Barnabé da Silva, relataram cenas assustadoras. "O fogo passou por cima da estrada. Os carros pararam, foi muito assustador. Nunca vi desse jeito", contou.
Causas desconhecidas e operação contínua
As causas exatas do incêndio ainda não foram confirmadas pelas autoridades. Enquanto isso, as equipes de combate seguem atuando na região para conter os focos remanescentes e evitar que as chamas se espalhem para outras áreas do assentamento. A situação requer vigilância constante e esforços coordenados para mitigar os danos e proteger a comunidade local.



