MP investiga incêndio criminoso que devastou 20 hectares de vegetação nativa no Pantanal de MS
O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) abriu um inquérito civil para investigar um incêndio de grandes proporções que destruiu 20,04 hectares de vegetação nativa em uma Área de Preservação Permanente (APP) às margens do Rio Miranda. O incidente ocorreu dentro da Fazenda Cristo Redentor, no município de Miranda, região do Pantanal sul-mato-grossense, entre os dias 11 e 12 de setembro de 2025.
Monitoramento por satélite detecta foco inicial
O foco do incêndio foi identificado inicialmente pelo Programa Pantanal em Alerta, que monitora diariamente focos de calor no bioma por meio de imagens de satélite e sensoriamento remoto. Segundo análises detalhadas do Núcleo de Geotecnologias (Nugeo), as chamas começaram em um ponto específico da área e se espalharam rapidamente, confirmando que todo o incêndio ocorreu dentro dos limites da APP, o que aumenta significativamente a gravidade do dano ambiental.
Perícia descarta causas naturais e aponta presença humana
A perícia criminal oficial, solicitada pelo Ministério Público, realizou uma vistoria técnica minuciosa no local e encontrou sinais recentes de presença humana. Entre os vestígios descobertos estavam:
- Estruturas improvisadas
- Resíduos diversos
- Latas normalmente usadas para acender fogo
- Indícios de que pescadores frequentavam a área
De acordo com o laudo pericial, foram completamente descartadas causas naturais para o início do incêndio, como raios, combustão espontânea ou explosões naturais. Os peritos confirmaram que as chamas começaram perto do ponto indicado pelo sistema de monitoramento e avançaram em direção a um morro próximo, atingindo árvores nativas de médio e grande porte.
Medidas investigativas e área prioritária
Diante das evidências encontradas, a 2ª Promotoria de Justiça de Miranda adotou medidas para aprofundar a investigação e identificar possíveis responsáveis. Entre as ações determinadas estão:
- Pedidos ao Núcleo de Geotecnologias para identificar o proprietário atual da área registrada no Cadastro Ambiental Rural (CAR)
- Confirmação se toda a Área de Preservação Permanente foi atingida
- Delimitação precisa do tamanho da área afetada
O Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) também foi comunicado para que o inquérito seja anexado ao cadastro ambiental da fazenda, permitindo o acompanhamento administrativo do caso. Além disso, o Ministério Público solicitou ao cartório de registro de imóveis a matrícula atualizada da propriedade.
Segundo o Programa Pantanal em Alerta, a fazenda onde ocorreu o incêndio já estava na lista de áreas consideradas prioritárias para prevenção de queimadas em 2025. O imóvel também constava na relação do Imasul de propriedades aptas para a chamada “queima prescrita”, técnica de manejo usada para reduzir material que pode alimentar incêndios de grandes proporções.
Vulnerabilidade do Pantanal e continuidade da investigação
Este caso reforça a vulnerabilidade da região pantaneira e a necessidade urgente de reforçar medidas de prevenção, como manutenção de aceiros, vigilância constante e planos de contingência. O Ministério Público informou que continuará acompanhando o caso e reunindo documentos, laudos e informações técnicas para avaliar possíveis medidas administrativas e judiciais.
A investigação tem como objetivo principal garantir a preservação do Pantanal, considerado um dos biomas mais importantes do país, além de responsabilizar eventuais envolvidos por danos ambientais de grande magnitude. Apesar das evidências de ação humana, ainda não foi possível identificar quem iniciou o fogo que consumiu mais de vinte hectares de vegetação nativa em área protegida.



