Praia da Ponta Branca em Manaus tem água imprópria para banho após análise da UEA
Água da Praia da Ponta Branca em Manaus é imprópria para banho

Praia da Ponta Branca em Manaus apresenta água contaminada por coliformes fecais

Uma análise realizada pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA) detectou uma alta concentração de coliformes fecais na água da praia da Ponta Branca, localizada no bairro Educandos, na Zona Sul de Manaus. O estudo, conduzido pelo Laboratório de Águas da UEA, integra o Programa de Monitoramento de Água, Ar e Solos do Amazonas (ProQAS/AM), que acompanha a região há quase uma década.

Resultados alarmantes superam limites legais

Os técnicos coletaram amostras em três pontos distintos da praia na segunda-feira, 16 de setembro, revelando cerca de 3.500 coliformes fecais por 100 mililitros de água. Esse valor ultrapassa significativamente o limite estabelecido pela legislação brasileira, que permite no máximo 2 mil coliformes fecais para que uma área seja considerada própria para banho.

"A quantidade de bactérias que tem naquelas águas está muito acima da recomendada para tomar banho", afirmou Sérgio Duvoisin, coordenador do laboratório da UEA, em entrevista à Rede Amazônica. Ele destacou que os dados indicam riscos concretos à saúde pública, com possibilidade de causar infecções gastrointestinais, otite e irritações oculares em quem entra em contato com a água contaminada.

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Histórico preocupante de contaminação

O monitoramento histórico da região revela números ainda mais alarmantes. Em 2025, um dos pontos de coleta chegou a registrar 340 mil coliformes fecais, enquanto em áreas da bacia do Educandos os índices podem alcançar a marca impressionante de 5 milhões. Esses dados contrastam fortemente com a aparência da praia, que não reflete a real qualidade da água.

"O mais importante não é aquilo que a gente vê. Existem profissionais que fazem essa análise e mostram que a qualidade da água realmente não é boa", ressaltou Duvoisin, alertando a população sobre os perigos invisíveis presentes no local.

Reabertura recente e movimentação intensa

A análise ocorre logo após a reabertura da praia pela Prefeitura de Manaus, que promoveu uma revitalização completa da área através de uma força-tarefa de limpeza com apoio da Marinha do Brasil. Equipes da Secretaria Municipal de Limpeza Urbana (Semulsp) atuaram na retirada de resíduos e organização da faixa de areia, buscando recuperar um espaço histórico da cidade que era frequentado por famílias até a década de 1980.

Durante o último domingo, 15 de setembro, vídeos nas redes sociais mostraram grande movimentação de banhistas e embarcações no local, gerando ampla repercussão. A prefeitura também estuda ampliar a faixa de areia da praia em diálogo com a Marinha, já que a área pertence à União.

Falta de resposta oficial sobre medidas futuras

O g1 questionou a Prefeitura de Manaus sobre dois pontos cruciais:

  1. Se houve análise da qualidade da água antes da reabertura da praia
  2. Quais medidas serão tomadas após a divulgação dos resultados preocupantes da UEA

Até o momento da última atualização, não houve resposta oficial por parte da administração municipal. Enquanto isso, o coordenador do laboratório da UEA faz um alerta ponderado: "A gente não está dizendo para não tomar banho na praia da Ponta Branca, o que a gente está dizendo é que tem um problema na praia da Ponta Branca e, se quiser arriscar, cada um tem a liberdade de fazer o que bem entender".

A situação coloca em evidência a discrepância entre intervenções urbanísticas e monitoramento ambiental, levantando questões sobre a priorização da segurança sanitária em espaços públicos de lazer.

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