Diversidade marca abertura da COP15 em Campo Grande com discursos e dança Terena
Diversidade marca abertura da COP15 em Campo Grande

Diversidade marca cerimônia de abertura da COP15 em Campo Grande

A cerimônia de abertura da 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15), realizada em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, foi marcada por uma rica diversidade de participantes e manifestações culturais nesta segunda-feira, 23 de março de 2026. O evento, que acontece no coração do Pantanal, reuniu autoridades governamentais, representantes do secretariado das Nações Unidas, membros da sociedade civil e cientistas, todos unidos em torno das expectativas para os trabalhos que se estenderão até o dia 29.

Discurso de abertura da ministra Marina Silva

A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, abriu oficialmente a conferência com um discurso de boas-vindas, no qual reafirmou a importância da união entre os países para promover avanços significativos na proteção das espécies contempladas nos anexos da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS). Ela destacou que essa colaboração internacional é essencial para fortalecer ações transversais em temas críticos como conectividade ecológica e mudança do clima.

"Nos próximos dias, teremos a oportunidade de lançar uma mensagem clara ao mundo: se trabalharmos juntos, é possível conciliar desenvolvimento e conservação; é possível gerar riqueza sem destruir o patrimônio natural que nos sustenta, promovendo assim um novo ciclo de prosperidade", afirmou a ministra, enfatizando o potencial da cooperação global para enfrentar os desafios ambientais.

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Participação dos povos tradicionais

Após os discursos oficiais, a cerimônia ganhou um tom cultural e simbólico com a apresentação dos indígenas do povo Terena, que realizaram a Dança da Ema. Esta manifestação é considerada sagrada e representa uma forma de resistência cultural dessa população tradicional do Mato Grosso do Sul, reforçando a ligação profunda entre as comunidades e o meio ambiente.

Representando a população quilombola, Adriana da Silva Soares tomou a palavra para destacar que o Pantanal não é apenas um bioma, mas sim vida e ancestralidade para os povos tradicionais. Ela ressaltou que essas comunidades continuam lutando pela demarcação e articulação de seus territórios, mesmo sendo reconhecidas como os principais protetores do meio ambiente.

"Sem esse reconhecimento, nossas comunidades seguem vulneráveis, ameaçadas e invisibilizadas. Com o território tradicional ameaçado, não é apenas o povo que sofre, é todo o bioma que entra em risco", declarou Adriana, chamando a atenção para a necessidade urgente de garantir direitos territoriais como parte essencial da conservação ambiental.

Expectativas para a COP15

A conferência, que se estende até o final do mês, tem como objetivo principal discutir e implementar medidas para a proteção de espécies migratórias em nível global. Os participantes esperam que os debates resultem em acordos concretos que possam:

  • Fortalecer a cooperação internacional em conservação.
  • Integrar ações de conectividade ecológica e combate às mudanças climáticas.
  • Reconhecer e apoiar o papel dos povos tradicionais na proteção ambiental.
  • Promover políticas que equilibrem desenvolvimento econômico e sustentabilidade.

A diversidade de vozes na abertura da COP15 em Campo Grande simboliza um passo importante rumo a uma abordagem mais inclusiva e eficaz para a conservação da biodiversidade mundial, com o Pantanal servindo como pano de fundo inspirador para essas discussões cruciais.

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