Colheita do pinhão permanece proibida até 1º de abril em São Francisco de Paula
Colheita do pinhão proibida até 1º de abril no RS

Colheita do pinhão permanece proibida até 1º de abril em São Francisco de Paula

Produtores de São Francisco de Paula, localizada nos Campos de Cima da Serra no Rio Grande do Sul, aguardam com expectativa a nova safra do pinhão, que está autorizada apenas a partir do dia 1º de abril. Até essa data, vigora rigorosamente o período de defeso, que considera crime ambiental qualquer atividade de coleta, armazenamento ou transporte da semente da araucária.

Fiscalização intensa e apreensões recordes

Somente no ano passado, o Comando Ambiental da Brigada Militar realizou operações que resultaram na apreensão de mais de uma tonelada de pinhão extraído ilegalmente. A fiscalização tem sido reforçada para proteger as araucárias durante este período crítico de desenvolvimento das sementes.

Previsão preocupante para a safra de 2026

Apesar da ansiedade pela colheita que se aproxima, a previsão para a safra de 2026 é bastante desanimadora, com estimativa de queda de até 60% na produção total. Fatores naturais, especialmente as fortes chuvas que atingiram a região durante a primavera, podem ter prejudicado significativamente o processo de fecundação da semente, que depende exclusivamente da polinização pelo vento.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Conforme explica a extensionista rural e social da Emater/RS, Sandra Loreni Almeida, "A araucária é uma planta cíclica, portanto sua produção depende diretamente das condições climáticas e do desempenho da safra anterior. Quando ocorre uma produção muito abundante, a planta sofre um estresse produtivo considerável, o que naturalmente resulta em uma colheita reduzida no ano seguinte".

Importância ecológica do período de defeso

O período de defeso estabelecido até 1º de abril é fundamental tanto para a preservação do ecossistema quanto para garantir a qualidade final do produto. Sandra Almeida detalha que "Este é um momento crítico para a araucária, porque a semente ainda não atingiu a maturidade necessária para germinação adequada. Além disso, o pinhão colhido precocemente não apresenta qualidade nutricional satisfatória, nem características de sabor ou textura apropriadas para consumo humano".

Impacto econômico e social na região

Em São Francisco de Paula, aproximadamente 140 famílias dependem economicamente da coleta do pinhão, atividade que em 2025 gerou cerca de 150 toneladas do produto. Todo o pinhão extraído no município provém exclusivamente de espécies nativas de araucária, e a semente desempenha papel vital não apenas na economia local, mas também como alimento essencial para a fauna silvestre e para o gado da região.

A preservação das araucárias e o respeito ao período de defeso são, portanto, questões que transcendem o aspecto legal, envolvendo sustentabilidade ambiental, segurança alimentar e manutenção de tradições culturais profundamente enraizadas na comunidade serrana.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar