Mudança climática triplica risco de incêndios florestais no Chile e Argentina, alerta estudo
Clima triplica risco de incêndios no Chile e Argentina

Estudo científico confirma influência humana em incêndios devastadores

Um estudo publicado nesta quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026, pela rede científica World Weather Attribution (WWA) trouxe evidências alarmantes sobre o papel da mudança climática nos recentes incêndios florestais que assolaram o Chile e a Argentina. Segundo a pesquisa, as atividades humanas tornaram aproximadamente entre 2,5 e 3 vezes mais prováveis as condições meteorológicas quentes e secas que alimentaram as chamas devastadoras em ambos os países.

Impactos catastróficos nos dois lados da fronteira

Os números da tragédia são impressionantes e revelam a dimensão do desastre ambiental. No Chile, os incêndios registrados em meados de janeiro resultaram em pelo menos 21 mortos, cerca de 22.000 desabrigados e mais de 42.000 hectares de floresta completamente devastados. Do lado argentino, a situação não foi menos grave: mais de 60.000 hectares queimaram, 3.000 turistas precisaram ser evacuados e áreas protegidas sofreram impactos significativos no início de 2026.

Combinação perigosa de fatores naturais e humanos

Clair Barnes, pesquisadora do centro de política ambiental da Imperial College London, explicou que a principal causa da diminuição das chuvas - entre 20% e 25% menos nas regiões afetadas - foi a queima de combustíveis fósseis, que emite gases de efeito estufa responsáveis pelo aquecimento do planeta. Embora o fenômeno climático La Niña tenha desempenhado um papel menor nas condições secas, foi a combinação com a mudança climática causada pelos humanos que criou "uma aridez propícia para os incêndios", conforme resumiu Juan Antonio Rivera, do instituto público de pesquisa científica argentino Conicet.

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Patrimônio natural em risco iminente

Na Patagônia argentina, as chamas representaram uma ameaça particular aos alerces, árvores abundantes no parque nacional de mesmo nome que é patrimônio mundial da Unesco. Essas árvores milenares podem viver até 3.000 anos, mas Rivera admitiu que é impossível avaliar o impacto preciso dos incêndios sobre elas. Além das condições climáticas, o estudo mencionou que plantações de pinheiros mais inflamáveis também aumentaram o risco de chamas mais intensas.

Cortes orçamentários agravam situação na Argentina

Os cientistas apontaram um fator adicional preocupante: a redução do financiamento para a gestão de incêndios e os sistemas de resposta na Argentina sob o governo do presidente Javier Milei, que promove cortes orçamentários drásticos. Rivera foi enfático ao criticar: "Em um governo onde se desconhece a mudança climática como consequência das atividades humanas, onde a natureza ocupa um lugar secundário, temos essas situações em que os incêndios causam mais impactos do que deveriam".

Verões significativamente mais secos

O comunicado da WWA destacou que "verões significativamente mais secos" estão afetando setores de ambos os países, com a rede científica especializada em avaliar o papel da mudança climática em fenômenos meteorológicos extremos. Esta pesquisa reforça a urgência de ações concretas para combater as mudanças climáticas e proteger ecossistemas vulneráveis na América do Sul.

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