Cágados em floresta nacional do ES contaminados com bactérias resistentes e antibióticos hospitalares
Cágados em floresta do ES contaminados com bactérias e antibióticos

Cágados em floresta nacional do Espírito Santo apresentam contaminação por bactérias resistentes e antibióticos hospitalares

Pequenos, tímidos e ameaçados de extinção, os cágados - parentes próximos das tartarugas - voltaram a ser avistados nas águas do Rio Itapemirim, dentro da Floresta Nacional de Pacotuba, em Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Espírito Santo. No entanto, uma pesquisa inédita revelou uma situação alarmante: os animais foram encontrados contaminados com bactérias resistentes e resíduos de antibióticos de uso hospitalar.

Pesquisa detalhada sobre a contaminação

A constatação faz parte de um estudo realizado por uma equipe do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) em parceria com pesquisadores de diferentes estados do país. Segundo o médico-veterinário e professor Paulo Henrique Braz, da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), os cágados analisados apresentaram sinais de contaminação que indicam contato direto com poluentes, mesmo dentro de uma área de proteção ambiental.

"A gente conseguiu já ver algumas bactérias que são resistentes, inclusive a antibióticos de uso hospitalar", explicou o pesquisador. "Pode ser até devido a dejetos que saem de hospitais e vão parar nesses locais ou até mesmo a população que possa estar descartando remédio de forma incorreta e vai parar em lençóis freáticos".

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Importância dos cágados como bioindicadores

Os cágados são considerados bioindicadores, ou seja, sua presença e saúde refletem diretamente a qualidade do ambiente em que vivem. Como vivem por longos períodos, que podem ultrapassar os 100 anos, eles acumulam ao longo da vida os efeitos da poluição da água e do solo, tornando-se verdadeiros termômetros da saúde ambiental.

Metodologia da pesquisa na Floresta Nacional de Pacotuba

Na Floresta Nacional de Pacotuba, o estudo tem avançado desde o ano passado, quando a espécie foi redescoberta na região após 45 anos sem registros. Desde então, nove indivíduos já foram identificados pelos pesquisadores.

Durante as expedições, os cientistas percorrem o rio em pequenas embarcações e instalam armadilhas específicas para capturar os animais sem causar ferimentos. Após a captura, são realizadas:

  • Medições precisas dos animais
  • Pesagem cuidadosa
  • Coleta de sangue para análise

Os dados coletados ajudam a determinar parâmetros de saúde da espécie, algo que ainda é pouco conhecido no Brasil, que abriga mais de 30 tipos de cágados.

Estabelecendo parâmetros de saúde para a espécie

Assim como os humanos possuem valores de referência em exames de sangue, os pesquisadores buscam estabelecer esses parâmetros para os cágados. Esta iniciativa representa um avanço significativo na compreensão da saúde desses animais e das condições ambientais em que vivem.

Trabalho de preservação e conscientização comunitária

Além da coleta de dados científicos, os pesquisadores trabalham em conjunto com comunidades ribeirinhas da região para reforçar a importância da preservação da floresta e dos animais que nela vivem. Esta abordagem integrada busca promover a conscientização ambiental e engajar a população local na proteção do ecossistema.

Sinais de esperança e reprodução da espécie

A presença de cágados jovens identificados nas últimas capturas também traz um sinal de esperança: há reprodução da espécie no Rio Itapemirim, o que pode indicar uma lenta recuperação ambiental na área protegida. Este dado positivo sugere que, apesar da contaminação, o ambiente ainda mantém condições que permitem o ciclo reprodutivo desses animais ameaçados.

A pesquisa continua em andamento, com os cientistas monitorando regularmente a população de cágados e analisando os impactos da poluição na saúde desses importantes bioindicadores ambientais.

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