Campo Grande sedia COP15 da ONU sobre espécies migratórias em março
Campo Grande recebe COP15 da ONU sobre espécies migratórias

Campo Grande recebe conferência global da ONU sobre conservação de espécies migratórias

A cidade de Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul, foi oficialmente escolhida para sediar a 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação de Espécies Migratórias de Animais Selvagens (COP15/CMS), promovida pela Organização das Nações Unidas (ONU). O evento ocorrerá entre os dias 23 e 29 de março, reunindo representantes de mais de 130 países para discutir estratégias de proteção a espécies migratórias e preservação de seus habitats ao redor do planeta.

Por que Campo Grande foi selecionada?

Segundo João Paulo Capobianco, presidente da COP15, a escolha de Campo Grande se deve a múltiplos fatores que destacam a cidade como um modelo de integração entre desenvolvimento urbano e conservação ambiental. A cidade já recebeu por seis vezes o título internacional "Tree City of the World" (Cidade Árvore do Mundo), reconhecimento concedido por suas iniciativas de preservação e gestão urbana voltadas ao meio ambiente.

Capobianco explicou que Campo Grande foi considerada "ambientalmente favorável" por dispor de parques e um planejamento urbano interessante. "Nós queremos mostrar para as pessoas de todo o mundo como é possível planejar uma cidade de forma harmoniosa com o meio ambiente", ressaltou o presidente da conferência.

No entanto, o fator decisivo para a escolha foi a posição estratégica da cidade como porta de entrada para o Pantanal. O objetivo é chamar a atenção global para a importância deste bioma compartilhado por Brasil, Bolívia e Paraguai, que possui biodiversidade extraordinária e serve como corredor para diversas espécies migratórias.

O papel do Pantanal na conservação

O Pantanal, maior área úmida continental do planeta, é um local de passagem crucial para inúmeras espécies migratórias ligadas a ambientes aquáticos. Durante suas migrações, esses animais utilizam a região para reprodução, alimentação e repouso antes de seguir para outros países e regiões.

"Infelizmente o Pantanal ainda é pouco conhecido fora do país, então queremos aproveitar a vinda de grandes autoridades mundiais que tratam de espécies migratórias para conhecer o bioma de perto e colocá-lo em evidência", destacou Capobianco, enfatizando a oportunidade única que a conferência representa para a divulgação internacional deste ecossistema.

Objetivos e importância da COP15

A COP15 tem como principal objetivo mobilizar esforços científicos para desenvolver ações concretas de proteção às espécies migratórias, além de servir como espaço para troca de informações entre países sobre a situação desses animais. A expectativa é que cerca de 3 mil representantes participem do evento, incluindo autoridades, cientistas, organizações internacionais e representantes da sociedade civil.

Segundo Capobianco, a conferência busca "classificar essas espécies de acordo com a situação que elas estão enfrentando, e principalmente, elaborar acordos, tratados, protocolos de cooperação entre os países para garantir que essas espécies permaneçam vivas, permaneçam circulando pelo planeta".

A Convenção sobre a Conservação de Espécies Migratórias de Animais Selvagens (CMS), também conhecida como Convenção de Bonn por ter sido negociada na Alemanha em 1979, conta atualmente com 132 países membros mais a União Europeia. A convenção protege aproximadamente 1.189 espécies migratórias, incluindo:

  • Mamíferos como baleias, golfinhos, morcegos, gorilas e antílopes
  • Aves como albatrozes, aves de rapina, aves aquáticas e a borboleta-monarca
  • Répteis como tartarugas marinhas
  • Peixes como tubarões e esturjões

Impacto além da ecologia

Além da importância ecológica, as espécies migratórias têm impacto direto na vida humana, contribuindo para:

  1. Polinização de plantas
  2. Dispersão de sementes
  3. Manutenção de ecossistemas
  4. Apoio a atividades econômicas sustentáveis como o ecoturismo

Histórico de conferências no Brasil

Esta será a primeira vez que o Brasil sedia a Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação de Espécies Migratórias de Animais Selvagens. Anteriormente, o país já havia sediado a Convenção sobre Diversidade Biológica em 2006 e a Convenção do Clima (COP30) em 2025.

As conferências sobre espécies migratórias reúnem-se aproximadamente a cada três anos, sendo as mais recentes a COP14 no Uzbequistão em 2024 e a COP13 na Índia em 2020. A escolha de Campo Grande para a COP15 representa não apenas um reconhecimento das políticas ambientais da cidade, mas também uma oportunidade histórica para destacar a importância do Pantanal e das espécies migratórias que dependem deste ecossistema único.