378 kg de moedas retiradas das Cataratas do Iguaçu em ação de limpeza ambiental
378 kg de moedas retiradas das Cataratas do Iguaçu

Retirada de 378 kg de moedas das Cataratas do Iguaçu expõe impacto ambiental de tradição turística

Uma ação de limpeza realizada na quarta-feira (15) nas Cataratas do Iguaçu resultou na retirada de impressionantes 378 quilogramas de moedas do Rio Iguaçu. A prática comum entre visitantes de jogar moedas para fazer pedidos, embora carregada de simbolismo, revelou-se uma fonte significativa de poluição no patrimônio natural.

Iniciativa visa reduzir contaminação e conscientizar turistas

A operação, conduzida pela concessionária Urbia+Cataratas, teve como objetivo principal reduzir a poluição metálica no rio e alertar os milhões de visitantes anuais sobre os graves impactos ambientais desse hábito aparentemente inofensivo. Além das centenas de quilos de moedas, as equipes de limpeza recolheram diversos outros objetos descartados inadequadamente, incluindo óculos, garrafas plásticas e bonés.

André Franzini, gerente de sustentabilidade da Urbia+Cataratas, explicou com clareza os riscos envolvidos: "Jogar moedas nas Cataratas do Iguaçu, por mais que seja uma crença arraigada para muitas pessoas ao realizar um pedido, é estritamente proibido no parque e representa um perigo concreto para o meio ambiente. Os metais presentes nas moedas podem contaminar progressivamente a água e afetar diretamente a fauna aquática que habita esse ecossistema único."

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Condições especiais permitiram a operação de limpeza

A limpeza extraordinária só foi possível devido às condições excepcionais de baixa vazão das Cataratas no dia da ação. O volume de água registrado estava abaixo de 500 mil litros por segundo, representando apenas um terço da média normal, que gira em torno de 1,5 milhão de litros por segundo. Segundo informações da concessionária, operações desse tipo exigem que o nível do rio esteja particularmente estável, condição fundamental para garantir a segurança completa das equipes envolvidas no trabalho.

Destinação adequada para as moedas recuperadas

As moedas recolhidas passarão agora por um rigoroso processo de triagem para definir sua destinação final apropriada. A maior parte delas apresenta sinais evidentes de corrosão devido ao tempo prolongado submersa nas águas do rio. Contudo, aquelas que ainda estiverem em condições de uso serão direcionadas para projetos ambientais específicos, incluindo ações educativas de conscientização e programas de plantio de árvores, desenvolvidos em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Retirada periódica com volumes históricos significativos

A remoção de resíduos metálicos das Cataratas do Iguaçu é realizada periodicamente e considerada essencial para a preservação deste Patrimônio Mundial Natural reconhecido pela UNESCO. Análises de anos anteriores revelam que a quantidade recolhida tem sido consistentemente expressiva:

  • 2019: 320 quilogramas de moedas retiradas
  • 2021: 329 quilogramas de moedas retiradas
  • 2022: 329 quilogramas de moedas retiradas
  • 2023: 158,8 quilogramas de moedas retiradas

Esses números históricos demonstram a dimensão contínua do problema e reforçam a necessidade de campanhas permanentes de educação ambiental junto aos visitantes. A tradição de jogar moedas, embora culturalmente significativa para alguns, precisa ser repensada à luz dos compromissos contemporâneos com a sustentabilidade e a preservação dos recursos naturais para as futuras gerações.

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