Corte de Roma analisa pedido de Zambelli para troca de juízes em processo de extradição
Corte de Roma analisa pedido de Zambelli por troca de juízes

Corte de Roma decide sobre pedido de Zambelli para troca de juízes em processo de extradição

A Corte de Apelação de Roma, na Itália, realiza nesta terça-feira (10) uma audiência crucial para examinar o pedido da defesa da ex-deputada Carla Zambelli (PL-SP) visando a substituição do colégio de juízes responsável por analisar seu processo de extradição para o Brasil. A sessão está agendada para as 10h no horário local, o que corresponde às 6h de Brasília, com expectativa de que a decisão seja comunicada ainda durante a tarde.

Contexto do pedido e reações das partes

A solicitação de troca de juízes foi formalizada pela própria Zambelli após a última sessão do caso, ocorrida em 20 de janeiro. Na ocasião, a corte suspendeu a audiência em andamento devido à falta de tempo para analisar uma série de pedidos apresentados pela defesa, incluindo um que pedia a oitiva de Eduardo Tagliaferro, ex-assessor do ministro Alexandre de Moraes no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), como testemunha.

A defesa interpretou o adiamento como uma rejeição às suas demandas, levando à formalização da solicitação de substituição da corte dias depois. Pieremilio Sammarco, advogado de Zambelli, afirmou na época: "Percebemos que eles [juízes] estavam sendo hostis e com pré-juízo em relação às nossas solicitações, não atendidas".

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Por outro lado, Alessandro Gentiloni, advogado que representa o Brasil no processo por meio da Advocacia Geral da União (AGU), argumenta que não há fundamentos para a troca de juízes. Ele declarou: "O tribunal não rejeitou os pedidos da senhora Zambelli, mas pediu reserva para decidir sobre eles, demonstrando equilíbrio e respeito pelos direitos de todas as partes no processo".

Impactos e próximos passos no processo

A continuação da audiência do dia 20 de janeiro foi remarcada para esta quarta-feira (11), quando o mérito da extradição deveria voltar a ser analisado pela corte. No entanto, o desfecho do pedido de troca de juízes nesta terça pode alterar significativamente o cronograma:

  • Se a troca for acatada, há a possibilidade de que o processo seja redistribuído e precise recomeçar do zero, gerando novos adiamentos.
  • Se for negada, a extradição pode seguir para julgamento, mas a defesa já anunciou que apresentará recurso, prolongando a disputa legal.

Zambelli está presa na Itália há seis meses, após ficar dois meses foragida. Seu julgamento de extradição já foi adiado três vezes desde o fim de novembro, incluindo uma pausa concedida pouco antes do Natal para que a defesa analisasse documentação enviada pelo Brasil sobre as condições da penitenciária Colmeia, no Distrito Federal, onde ela ficaria detida caso extraditada.

Histórico do caso e condenações

A ex-deputada, que se declara vítima de perseguição política pelo Supremo Tribunal Federal (STF), fugiu do Brasil em junho para escapar de uma pena de dez anos de prisão. Essa condenação refere-se à invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e à emissão de um mandado falso de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes.

Já na Itália, Zambelli foi condenada a outros cinco anos de prisão por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal. Esses dois casos compõem um único processo de extradição, com a Corte de Apelação de Roma atuando como primeira instância. Após a decisão do tribunal, as partes têm o direito de recorrer, indicando que a batalha judicial pode se estender ainda mais.

Em caso de extradição, o tempo de prisão cumprido na Itália será descontado do restante da pena a ser cumprida no Brasil, conforme as normas legais aplicáveis.

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