Prefeitura de Goiânia estuda abrir rua no Parque Flamboyant para desafogar trânsito
Goiânia estuda abrir rua no Parque Flamboyant para trânsito

Estudo da Prefeitura de Goiânia avalia abertura de rua no Parque Flamboyant para melhorar fluxo veicular

A Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana (Seinfra) de Goiânia está conduzindo estudos técnicos para avaliar a possibilidade de abrir uma nova rua dentro do Parque Flamboyant, localizado no Jardim Goiás. O objetivo principal é facilitar o acesso de veículos na região, que atualmente enfrenta sérios problemas de congestionamento, especialmente nos horários de pico.

Problemas atuais de mobilidade na área

Atualmente, os motoristas que trafegam no sentido oeste-leste contam com apenas duas opções para acessar o interior do bairro:

  • Rua 56-A: Uma viela estreita, quase sem calçadas, que frequentemente fica congestionada.
  • Avenida Jamel Cecílio: Via que também registra um grande fluxo de veículos, contribuindo para os engarrafamentos.

Segundo informações da própria secretaria, a nova via pública seria construída em uma das extremidades do parque, aproximadamente a 250 metros da Rua 56-A. O local fica próximo ao muro de uma propriedade particular e sobre o trecho inicial da canalização do córrego Sumidouro, um manancial que já sofreu diversas intervenções urbanas ao longo de cerca de 1,5 quilômetro.

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Oposição de órgãos ambientais e especialistas

No entanto, a proposta enfrenta resistência significativa. Órgãos municipais como a Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma) e a Secretaria Municipal de Planejamento Urbano (Seplan) já se posicionaram contra a medida. Eles argumentam que a abertura da rua seria prejudicial ao parque e que existem alternativas mais viáveis para resolver os problemas de trânsito.

O advogado Sebastião Ferreira Leite, que participou das negociações para a destinação da área ao Parque Flamboyant em 2003, declarou que a criação de uma rua dentro do parque é inviável. "É como no sítio do Xingu. Parque é área de preservação. Não faz sentido permitir a circulação de carros dentro do parque", afirmou. Ele alertou que transformar o espaço em via de passagem poderia convertê-lo em uma grande rotatória, aumentando os riscos de acidentes e obrigando frequentadores, como idosos, crianças e mães com filhos pequenos, a atravessarem o parque em meio ao tráfego de veículos.

Impactos ambientais e violação do Plano Diretor

O especialista em Arquitetura e Urbanismo David Finotti, membro da Associação para Recuperação e Conservação do Ambiente (Arca), destacou que a proposta representa um desrespeito ao Plano Diretor da cidade. "Existe o córrego Sumidouro, que já sofre com ocupações irregulares ao longo do parque. A abertura de uma nova via tem tendência a impermeabilizar ainda mais uma área que já está fragilizada", explicou.

O delegado Luziano Carvalho, titular da Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra o Meio Ambiente, também se manifestou contra a eventual abertura da via. Ele ressaltou que se trata de uma área de nascente que necessita de proteção especial. "A Polícia Civil é totalmente contrária à abertura dessa rua no meio do parque. É um local que precisa ser protegido", declarou.

Estudos técnicos em andamento

Em nota oficial, a Seinfra informou que os estudos técnicos estão em fase inicial e consideram diversos fatores, incluindo:

  1. Fluxo de veículos na região.
  2. Segurança viária para motoristas e pedestres.
  3. Impacto ambiental da possível intervenção.
  4. Alternativas de engenharia para melhorar a circulação no entorno do parque.

A secretaria afirmou que o processo está sendo conduzido de forma integrada, com diálogo contínuo com moradores da região e órgãos municipais como a Secretaria de Engenharia de Trânsito (SET), a Amma e a Seplan. A Seinfra esclareceu que somente após a conclusão de todos os estudos e análises complementares poderá se manifestar de forma definitiva sobre a possibilidade de intervenções na área do Parque Flamboyant.

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