Uma onça-parda foi encontrada morta na madrugada do último sábado (2) nas proximidades do Rio Juqueri e do Parque Estadual Juquery, em Mairiporã, na região metropolitana de São Paulo. O corpo estava na Rodovia Prefeito Luís Salomão Chamma, fora dos limites do parque. A Fundação Florestal, vinculada à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), confirmou que a causa da morte foi atropelamento.
Segunda morte em menos de quatro meses
Este é o segundo registro de morte de onça-parda na região metropolitana de São Paulo em 2025. O primeiro caso ocorreu em janeiro, em uma avenida que corta o Parque Estadual da Cantareira, no bairro do Tremembé, Zona Norte da capital. Desta vez, a denúncia foi atendida pela Secretaria de Meio Ambiente de Mairiporã, e o corpo foi removido pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER). Posteriormente, a Fundação Florestal e o Centro de Manejo e Conservação de Animais Silvestres realizaram a análise que confirmou o atropelamento como causa da morte. O animal era uma fêmea.
Habitat ameaçado
O Parque Estadual Juquery, localizado a menos de seis quilômetros do local do acidente, é uma unidade de conservação que abriga o último remanescente de Cerrado na região metropolitana e serve de habitat para diversas espécies. A Fundação Florestal informou que, mesmo fora de uma unidade de conservação, mantém atuação permanente na proteção da fauna, com monitoramento contínuo por meio do programa MonitoraBioSP. Em 2025, foram registrados mais de 2 mil avistamentos independentes de onças-pardas nas Unidades de Conservação do estado.
Impacto humano
A ativista ambiental Suzi Cavalari atribui os acidentes com animais às obras do trecho norte do Rodoanel e ao aumento do turismo na região, que impactam diretamente os habitats naturais. A primeira morte de onça-parda, em janeiro, também ocorreu em uma área protegida, o Parque Estadual da Cantareira.
Espécie quase ameaçada de extinção
As onças-pardas são o segundo maior felino das Américas e enfrentam declínio populacional. A principal ameaça é o avanço da ação humana, especialmente estradas com veículos em alta velocidade. Segundo o Sistema de Avaliação do Risco de Extinção da Biodiversidade (SALVE), do ICMBio, a espécie está perto de ser classificada como ameaçada de extinção. A Semil recomenda que, em caso de acidentes com animais silvestres, a população entre em contato com o Corpo de Bombeiros, a Guarda Civil Municipal ou as autoridades locais.



