PF desmantela rede de mineração ilegal no Vale do Jequitinhonha com apreensões milionárias
PF combate garimpo ilegal no Vale do Jequitinhonha com operação

Operação da Polícia Federal combate mineração ilegal no Vale do Jequitinhonha com apreensões milionárias

A Polícia Federal de Governador Valadares iniciou, na manhã desta quinta-feira (16), uma operação de grande porte para enfrentar a mineração ilegal no Vale do Jequitinhonha. Batizada de Operação Coronéis de Murta, a ação judicial resultou no cumprimento de oito mandados de busca e apreensão, além do sequestro de bens e do bloqueio de recursos financeiros que podem alcançar a impressionante cifra de R$ 5 milhões.

Foco na extração clandestina de gemas preciosas

A operação concentrou seus esforços no combate ao garimpo clandestino de pegmatitos e gemas, especialmente turmalinas, nos municípios de Coronel Murta e Rubelita. Segundo as investigações da Polícia Federal, o objetivo principal era identificar a rastreabilidade de recursos minerais pertencentes à União que teriam sido extraídos e comercializados de maneira ilegal, violando a legislação ambiental e mineral do país.

Estrutura organizada com financiadores e proprietários

De acordo com as apurações, os principais alvos da operação são financiadores e proprietários de garimpos clandestinos. O delegado Andrei Nicolas de Assunção Borges, responsável pelas investigações, explicou que a atividade funcionava através de uma divisão clara de funções: "Existe uma organização para o funcionamento dessas minas. Há os trabalhadores que fazem a extração do mineral, os financiadores e os donos da terra, com uma pactuação e divisão do que é encontrado. São vários grupos atuando, organizados por boca de mina".

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O modelo operacional descrito revela que cada mina atuava de forma independente, mesmo estando geograficamente próxima a outras áreas de extração, caracterizando uma rede descentralizada mas coordenada de exploração ilegal.

Condições de trabalho análogas à escravidão

Durante as diligências, a Polícia Federal constatou que os trabalhadores envolvidos nas atividades de mineração eram submetidos a condições extremamente precárias, qualificadas como análogas à escravidão. O delegado Borges detalhou: "Eles trabalhavam em locais sem água potável, sem espaço para alimentação e sem banheiro. As moradias eram improvisadas, feitas de madeira e lona, sem equipamentos de segurança, com trabalho braçal pesado e até uso de detonação".

Essas condições violam não apenas as leis trabalhistas, mas também os direitos humanos fundamentais, destacando a gravidade das práticas investigadas.

Medidas judiciais e continuidade das investigações

Além das medidas de busca, apreensão e bloqueio financeiro, a Justiça determinou a instalação de cinco tornozeleiras eletrônicas em investigados, visando monitorar seus movimentos enquanto as apurações prosseguem. A Polícia Federal informou que as investigações continuam em andamento para aprofundar a análise sobre a atuação de todos os envolvidos e a destinação final dos minerais extraídos ilegalmente.

A operação representa um importante golpe contra a mineração ilegal na região, que além de causar danos ambientais significativos, explora trabalhadores em condições degradantes. As autoridades reforçam o compromisso de combater tais práticas e garantir a legalidade na exploração dos recursos naturais do país.

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