Operação em MG desmantela esquema de carvão ilegal e bloqueia mais de R$ 55 milhões
Esquema de carvão ilegal em MG tem R$ 55 milhões bloqueados

Operação em Minas Gerais mira esquema milionário de carvão vegetal ilegal

A Polícia Civil de Minas Gerais deflagrou uma operação de grande porte para desarticular um sofisticado esquema de extração e comercialização ilegal de carvão vegetal produzido a partir de mata nativa. A ação, que mobilizou equipes especializadas, resultou no bloqueio judicial de impressionantes R$ 55 milhões em ativos financeiros, além da apreensão de mais de R$ 30 mil em dinheiro vivo e da suspensão imediata das atividades das empresas envolvidas na trama criminosa.

Investigação revela estrutura complexa e danos ambientais graves

De acordo com a delegada Bianca Landau, chefe do Departamento Estadual de Investigação de Crimes contra o Meio Ambiente (Dema), as apurações tiveram início em 2023, após a identificação de uma siderúrgica que supostamente extraía carvão de forma irregular. "O grupo atuava de maneira coordenada para produzir, comercializar e ocultar a origem ilegal do material", explicou a autoridade policial.

A estratégia dos investigados incluía a mistura de carvão lícito com o ilícito, utilizando a guia de controle do produto legal para conferir aparência de legalidade e dificultar sobremaneira o trabalho dos investigadores. "Essa prática era sistemática e visava burlar os mecanismos de fiscalização", complementou a delegada Landau.

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Empresas de fachada e movimentações financeiras suspeitas

Outro aspecto alarmante descoberto pela polícia foi o uso de empresas de fachada registradas em nome de laranjas. Essas organizações, controladas secretamente pelos investigados, possuíam múltiplas filiais que facilitavam a emissão de documentos e a circulação do carvão de origem duvidosa.

Durante as buscas realizadas em diversas localidades, os policiais apreenderam equipamentos eletrônicos e valores em espécie. Em Taiobeiras, foram encontrados R$ 27.650 em dinheiro vivo, enquanto em Brasília outro alvo portava R$ 5.600, incluindo moedas estrangeiras como ienes e dólares.

A delegada revelou que algumas empresas investigadas movimentavam valores extraordinariamente superiores aos declarados oficialmente. "Uma das empresas apresentou lucro onze vezes maior em apenas três meses do que aquilo que ela anualmente declara", destacou, evidenciando indícios robustos de lavagem de dinheiro.

Impacto ambiental significativo e abrangência territorial

Os danos ao meio ambiente foram quantificados de maneira preocupante. "Um dos autos de fiscalização verificou que 9 mil metros cúbicos de carvão ilícitos foram produzidos, o que representa um impacto ambiental muito grande", alertou a chefe do Dema.

A operação teve alcance impressionante, sendo executada em múltiplas cidades mineiras:

  • Várzea da Palma
  • Taiobeiras
  • Três Marias
  • Eloí Mendes
  • Coração de Jesus
  • Indaiabira
  • Francisco Sá
  • Belo Horizonte
  • Águas Vermelhas
  • Santo Antônio do Retiro
  • Ubaí
  • Rio Pardo de Minas

Além dessas localidades, as investigações se estenderam para Aracaju (SE) e Brasília (DF), demonstrando a amplitude nacional do esquema criminoso.

Crimes apurados e continuidade das investigações

As apurações indicam a prática de diversos ilícitos, incluindo:

  1. Lavagem de dinheiro
  2. Associação criminosa
  3. Falsidade ideológica
  4. Uso de documentos falsos
  5. Infrações ambientais graves

No total, 27 pessoas físicas e jurídicas são alvo das investigações, que continuam em andamento para identificar outros possíveis envolvidos e aprofundar a compreensão sobre todos os detalhes do esquema ilegal. A Polícia Civil mantém o alerta para novas descobertas que possam emergir durante a fase de análise dos materiais apreendidos e dos dados financeiros bloqueados.

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