Teresina enfrenta grave redução nas chuvas de março
O mês de março registrou a segunda pior média de chuvas em Teresina nos últimos dez anos, conforme análise do climatologista Werton Costa. Os dados apontam um índice pluviométrico que chega a quase 200 milímetros, valor significativamente inferior ao padrão histórico da região.
Queda alarmante desde 2025
Werton Costa explicou que, tradicionalmente, março apresenta a maior média de chuvas do ano no Piauí, facilmente ultrapassando os 300 mm. No entanto, desde 2025 – ano que marcou o pior desempenho da década –, os números vêm apresentando uma tendência preocupante de declínio.
"No ano passado enfrentamos uma seca severa, com média ligeiramente acima de 100 mm. Este ano não alcançamos sequer 200 mm. Esta situação é extremamente grave para nossa região", alertou o especialista em entrevista ao g1.
Causas climáticas do fenômeno
O climatologista identificou que a causa principal, tanto em 2025 quanto atualmente, é a mesma: o cinturão de nuvens que normalmente traz precipitações ao Nordeste não se posicionou adequadamente sobre o Piauí.
"A chuva que atinge nossa região depende fundamentalmente das condições térmicas e do calor oceânico. A temperatura da superfície do mar funciona como o principal regulador do alinhamento das nuvens", destacou Werton.
Quando as condições oceânicas são favoráveis, o cinturão – conhecido tecnicamente como Zona de Convergência Intertropical – penetra no Nordeste e propicia chuvas prolongadas e consistentes. Contudo, em março deste ano, esse sistema aproximou-se poucas vezes do Norte piauiense.
Consequências regionais
"A maioria das precipitações que recebemos foram geradas por frentes frias originadas no Sul do estado. Por isso aquela região registrou diversos episódios de inundação", complementou o climatologista.
Esse comportamento das frentes frias concentrou as chuvas no Sul do Piauí, privando o Norte do estado, incluindo a capital Teresina. Cidades como Piripiri e Esperantina também ficarão abaixo da média histórica neste março.
"Sem o posicionamento adequado da zona de convergência, simplesmente não há chuva significativa. No ano passado, ela permaneceu muito ao norte. Este ano aproximou-se um pouco, mas apresentou oscilações excessivas", finalizou Werton Costa.



