Condições climáticas extremas marcam a semana em todo o Brasil
O Brasil vive um cenário meteorológico diversificado nesta semana, com diferentes regiões enfrentando condições climáticas extremas simultaneamente. Enquanto o Centro-Oeste e Sudeste sofrem com uma intensa onda de calor, o Norte e Nordeste enfrentam chuvas torrenciais, e o Sul se prepara para a chegada do primeiro frio mais intenso do ano.
Onda de calor atinge Centro-Oeste e Sudeste
Desde segunda-feira (20), uma nova onda de calor cobre extensas áreas do centro, norte e leste de Mato Grosso do Sul, sul de Goiás, partes do sul e sudeste de Mato Grosso, metade oeste do Triângulo Mineiro, oeste e noroeste de São Paulo e extremo noroeste do Paraná. Segundo meteorologistas, este fenômeno deve persistir pelo menos até domingo, dia 26.
O calor intenso resulta de um grande sistema de alta pressão atmosférica que está bloqueando a chegada de frentes frias à maior parte do país e mantendo o ar extremamente seco em diversas regiões. Nestas áreas, os termômetros devem registrar temperaturas pelo menos 5°C acima da média histórica para o mês de abril.
Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul, é a única capital brasileira dentro da área oficial de onda de calor. Entretanto, outras capitais como Cuiabá, Goiânia e Brasília também experimentam temperaturas bem acima do normal, embora não alcancem os critérios técnicos para classificação como onda de calor.
Ar seco preocupa em São Paulo
O ar seco representa outro ponto de atenção significativa. Em São Paulo, a umidade relativa do ar ficou abaixo dos 30% em vários pontos durante o feriado de 21 de abril, chegando a apenas 21% em Ariranha, no norte do estado, e 32% na capital paulista. A tendência é de queda ainda maior especialmente na sexta-feira e durante o fim de semana.
É importante destacar que a Organização Mundial da Saúde recomenda um mínimo de 60% de umidade relativa do ar para condições ideais de saúde. A madrugada desta quarta-feira (22) foi a mais fria do ano na capital paulista, com 14,9°C registrados no Mirante de Santana, na Zona Norte, e 14°C em Interlagos, na zona sul. Contudo, as tardes devem esquentar progressivamente até domingo, com previsão de até 33°C na cidade.
Chuvas intensas no Norte e Nordeste
A região Norte enfrenta uma das temporadas de chuva mais intensas dos últimos anos. Belém, no Pará, já ultrapassou a média histórica de chuva para todo o mês de abril antes do dia 22, com mais de 466 milímetros acumulados - um dos índices mais altos das últimas décadas, comparável apenas a abril de 2005 e 1996.
Nas últimas horas, foram registrados impressionantes 112 mm em Manaquiri, no Amazonas, e 89 mm em Boa Vista, Roraima. Cidades como Tomé-Açu, Castanhal, Altamira, Bragança e Macapá também acumularam volumes significativos de precipitação nos últimos dias.
A causa principal desta intensificação pluviométrica é a combinação entre a Zona de Convergência Intertropical - uma faixa de nuvens e chuva que circula o planeta próximo à linha do equador - e a alta temperatura do Oceano Atlântico no norte do Brasil. O oceano está cerca de 2°C acima do normal para a época, o que fornece ainda mais umidade à atmosfera e alimenta os temporais frequentes.
Nesta quarta-feira (22), a chuva deve atingir principalmente Amazonas, Pará e Rondônia, com intensidade moderada a forte. Roraima, Amapá e Acre também devem experimentar pancadas significativas. O padrão deve se repetir ao longo de toda a semana e no fim de semana, com temporais previstos para Belém, Manaus e Santarém. Há risco considerável de alagamentos, transbordamento de rios e impactos em áreas urbanas e ribeirinhas.
Nordeste também enfrenta instabilidade
O Nordeste brasileiro igualmente apresenta tempo instável em grande parte da região, devido à mesma faixa de convergência equatorial e outros sistemas atmosféricos. Salvador recebeu 80 mm de chuva nesta quarta-feira (22) e ainda deve acumular mais ao longo do dia. A previsão é de chuva forte na capital baiana até sexta-feira (24), com risco de temporais.
O litoral entre o Rio Grande do Norte e a Bahia está em alerta, especialmente em trechos próximos a Ilhéus e Salvador. No norte do Nordeste, Maranhão, Piauí e Ceará são as áreas com pancadas mais frequentes e intensas. Alagoas e Sergipe também apresentam risco de temporais. Apesar da chuva persistente, as temperaturas seguem altas à tarde em grande parte do Nordeste, criando sensação de tempo abafado.
Frio chega ao Sul do país
O Rio Grande do Sul terá uma semana meteorologicamente agitada. A chuva aumenta a partir da próxima quinta-feira (23) e deve se concentrar especialmente na metade norte do estado, com acumulados que podem chegar entre 20 mm e 60 mm por dia - e pontuais de até 90 mm em algumas localidades.
O que intensifica as chuvas no estado é a formação de um ciclone extratropical no Atlântico Sul, que organiza uma frente fria atuando diretamente sobre o Rio Grande do Sul. Na sexta-feira (24), a instabilidade continua com risco de chuva forte em regiões como Missões, Noroeste, Serra, Vales e Região Metropolitana de Porto Alegre. Há risco de alagamentos, enxurradas, queda de árvores e destelhamentos.
Além disso, uma massa de ar frio deve chegar ao Sul do país a partir do domingo (26), com maior impacto na segunda-feira (27) e na terça-feira (28). Será a primeira queda mais ampla de temperatura típica do inverno em 2026 para muitas cidades da região.
A massa de ar frio entra pelo sul do Rio Grande do Sul durante o domingo e deve alcançar todo o estado e parte de Santa Catarina até a madrugada de segunda-feira (27). As madrugadas mais frias devem ser as de segunda e terça-feira. Em grande parte do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, além do sul do Paraná, as temperaturas podem cair abaixo dos 10°C.
Há projeção de geada em áreas da Campanha, da Serra do Sudeste, do Planalto Médio e dos Campos de Cima da Serra, no Rio Grande do Sul, além do Planalto Sul Catarinense. Em Porto Alegre, as temperaturas mínimas podem chegar entre 10°C e 12°C na madrugada de terça-feira. O período mais frio deve ser relativamente curto, pois o ar frio escoa rapidamente para o oceano, com a temperatura tendendo a subir novamente já na segunda metade da próxima semana.



