Estiagem no Sul do Brasil se agrava com calor intenso e risco de desabastecimento de água
Estiagem no Sul se agrava com calor e risco de falta d'água

Estiagem no Sul do Brasil se intensifica com calor extremo e ameaça de desabastecimento hídrico

A estiagem que já afeta o Sul do Brasil deve entrar em uma fase ainda mais crítica neste início de fevereiro, com destaque para o Rio Grande do Sul, onde a combinação de chuva escassa e calor intenso eleva significativamente o risco de falta de água no curto prazo. Uma análise detalhada da MetSul Meteorologia aponta que a situação tende a se agravar nas próximas semanas, colocando em alerta autoridades e a população.

Calor extremo e precipitação abaixo do normal no Rio Grande do Sul

Ao longo desta semana, os termômetros devem marcar valores iguais ou superiores a 35°C na maior parte dos municípios do Rio Grande do Sul. Em algumas regiões, especialmente no oeste e no interior do estado, as temperaturas máximas podem se aproximar ou até superar os 40°C em dias consecutivos de calor intenso. Dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) indicam que o território gaúcho acumula semanas de precipitação abaixo do normal e deve seguir com volumes insuficientes para recompor o déficit hídrico ao longo do mês.

Os boletins mais recentes do Inmet mostram que, desde a segunda metade de janeiro, o Rio Grande do Sul tem registrado períodos prolongados de tempo seco, com acumulados muito baixos de chuva em diversas regiões. Em áreas do oeste, do sul do estado e da Região Metropolitana de Porto Alegre, os volumes observados ficaram muito aquém do esperado para o verão, estação que normalmente concentra parte significativa da recarga hídrica anual.

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Alerta vermelho para onda de calor e cenário desfavorável em fevereiro

Nesta semana, o Inmet emitiu um aviso vermelho de grande perigo para uma onda de calor que vai atingir áreas do Sul do Brasil. O aviso tem início nesta terça-feira (3) e é válido até as 23h59 do próximo sábado (7), abrangendo mais de 500 municípios na região. Ele inclui áreas como o Oeste Catarinense, as regiões Serrana, Noroeste e Sudoeste do Rio Grande do Sul, além de partes do Centro-Sul, Sudoeste e Sudeste do Paraná.

O aviso vermelho é o grau mais alto na escala do Inmet, indicando grande perigo devido ao calor extremo. Em janeiro, o instituto já havia registrado uma onda de calor nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo, entre os dias 12 e 14, demonstrando a extensão do fenômeno.

O cenário para fevereiro segue desfavorável, com o Inmet indicando chuva abaixo da média histórica em grande parte do Sul do país, incluindo o Rio Grande do Sul e áreas do oeste e do sul de Santa Catarina. Mesmo quando há registro de precipitação ao longo do mês, os modelos apontam volumes irregulares e mal distribuídos, com pancadas isoladas que têm impacto limitado na recuperação da umidade do solo e nos níveis de rios e reservatórios.

Impactos da estiagem e medidas preventivas

De acordo com a MetSul, os impactos da estiagem devem ser mais evidentes na metade Sul do estado, na Campanha e no extremo Sul gaúcho, regiões historicamente mais vulneráveis à irregularidade das chuvas. Em municípios dessas áreas, a queda no nível de reservatórios já levou à adoção de medidas preventivas, como restrições no uso da água.

A previsão de curto prazo também não sinaliza alívio imediato. Mesmo com a passagem de frentes frias ao longo do mês, os volumes associados a esses sistemas tendem a ser baixos e concentrados em áreas muito específicas. Em boa parte do Rio Grande do Sul, o padrão deve seguir dominado por tempo seco e temperaturas elevadas.

Embora o fenômeno La Niña já tenha perdido força, o Inmet destaca que os efeitos recentes do resfriamento do Pacífico ainda influenciam o regime de chuvas no Sul, mantendo a distribuição irregular da precipitação. Isso contribui para um cenário de estiagem prolongada, com riscos crescentes para o abastecimento hídrico e a agricultura.

Contexto nacional e cuidados com a saúde

Fevereiro deve continuar marcado por temperaturas acima da média em grande parte do país e por instabilidades mal distribuídas entre as cinco regiões do Brasil. A expectativa dos meteorologistas é de um mês com longos períodos de tempo seco em várias regiões, intercalados com episódios concentrados de chuva, principalmente no Norte e em parte do Sudeste.

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O Inmet alerta que o calor extremo traz riscos significativos à saúde. Em períodos de calor intenso, é comum sentir o corpo mais lento, cansado e até tonto. Os efeitos das altas temperaturas vão muito além do desconforto, podendo levar a desidratação, insolação e outros problemas de saúde, especialmente em grupos vulneráveis como idosos e crianças.

Diante desse cenário, é fundamental que a população adote medidas de precaução, como hidratar-se constantemente, evitar exposição ao sol nos horários mais quentes do dia e ficar atenta aos alertas meteorológicos. As autoridades também devem monitorar de perto a situação dos reservatórios e implementar ações para mitigar os impactos da estiagem no abastecimento de água.