Chuvas intensas elevam volume das represas do Alto Tietê em São Paulo
Chuvas aumentam volume de represas do Alto Tietê em SP

As chuvas intensas que atingiram a região do Alto Tietê, em São Paulo, nesta terça-feira (3), trouxeram um alívio significativo para os reservatórios do sistema produtor de água. O volume pluviométrico registrado foi responsável por um aumento expressivo na capacidade de armazenamento, revertendo parcialmente os efeitos da crise hídrica que preocupava as autoridades.

Aumento no volume útil das represas

De acordo com dados da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), o Sistema Produtor do Alto Tietê (SPAT) acumulou 51 milímetros de chuva em um único dia. Esse volume de precipitação resultou em um incremento de 1,1 ponto percentual no volume útil das represas, que agora atingiu a marca de 33,3%.

Considerando os três primeiros dias de fevereiro, o sistema já registrou 67,4 milímetros de chuva. Esse valor representa 38,1% da quantidade total esperada para todo o mês, indicando um cenário promissor para alcançar a média histórica.

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Municípios com maiores acumulados

Biritiba-Mirim se destacou como a cidade que mais registrou chuvas no estado de São Paulo, segundo informações da Defesa Civil. O município acumulou impressionantes 89 milímetros em apenas 24 horas. Como consequência direta, a barragem Biritiba, localizada na cidade, experimentou um aumento de 3,7 pontos percentuais em sua capacidade.

Outra cidade do Alto Tietê que apresentou volumes significativos foi Salesópolis, onde está situada a represa do Paraitinga. O município registrou 80 milímetros de chuva durante o mesmo período.

Mogi das Cruzes também se beneficia

Em Mogi das Cruzes, o reservatório Rio Jundiaí, localizado na região de Taiaçupeba, acumulou 33,4 milímetros de chuva. Esse volume resultou em um aumento de 1,1 ponto percentual, permitindo que o reservatório atingisse 30% do volume útil pela primeira vez em sete meses.

Diversas regiões da cidade registraram grandes volumes de precipitação:

  • Vila São Paulo: 63 mm
  • Vila Andrade: 55 mm
  • Jardim Santos Dummond: 49 mm
  • Jundiapeba: 37 mm

Contexto histórico e perspectivas

A Sabesp destacou que um volume de chuva e um aumento de capacidade como este não eram observados nas represas do sistema há aproximadamente um ano. A última ocorrência de intensidade similar aconteceu em fevereiro de 2024.

Esses eventos climáticos podem ser atribuídos à formação de um novo ciclone extratropical na região Sudeste do Brasil. Este fenômeno meteorológico, caracterizado como uma área de baixa pressão organizada em vários níveis da atmosfera, tem sido o principal fator para a manutenção do tempo instável na região, gerando muitas nuvens de chuva e ventos fortes.

Alerta anterior e mudança de cenário

No início de janeiro, o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) havia emitido um alerta sobre sinais claros de crise hídrica no SPAT. Na ocasião, a instituição afirmava que não era possível garantir uma recuperação satisfatória do sistema durante o período chuvoso, especialmente porque o mês não havia atingido a média de chuvas esperada nos reservatórios.

Um dos fatores agravantes identificados foi a concentração das chuvas nas áreas urbanas, em vez de ocorrerem diretamente sobre os reservatórios. Contudo, as recentes precipitações intensas trouxeram uma perspectiva mais positiva para o restante do período chuvoso, que deve se estender até o final do verão, em março.

As chuvas representam uma reversão dos resultados negativos que o SPAT vinha registrando nos últimos meses, oferecendo esperança para a estabilização do abastecimento hídrico na região metropolitana de São Paulo.

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