Navio com hantavírus atraca em Tenerife com 3 mortos e 5 casos confirmados
Navio com hantavírus atraca em Tenerife com 3 mortos

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O navio MV Hondius, que enfrenta um surto de hantavírus com três mortos e cinco casos confirmados, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), deve atracar neste domingo (10) no porto de Granadilla, em Tenerife, nas Ilhas Canárias, território espanhol. A chegada da embarcação, que transporta cerca de 150 pessoas, marca o início de uma grande operação sanitária para retirada dos passageiros.

Operação de desembarque e repatriamento

Nesta sexta-feira (8), o governo espanhol anunciou que os passageiros começarão a ser retirados no próprio domingo. Inicialmente, as autoridades haviam informado que a retirada ocorreria apenas na segunda-feira (11). “Teremos aviões disponíveis no mesmo dia e poderemos começar a repatriar essas pessoas”, afirmou o ministro da Política Territorial, Ángel Víctor Torres, à agência Reuters. Assim que o navio atracar, os passageiros saudáveis que não são espanhóis serão levados de avião para seus países de origem. Já os 14 cidadãos espanhóis a bordo serão colocados em quarentena em um hospital militar em Madri. A duração do isolamento dependerá da possível exposição, já que o vírus pode levar até 45 dias para apresentar sintomas.

Ação dos Estados Unidos

O governo dos Estados Unidos informou nesta sexta que está organizando um voo para repatriar os cidadãos americanos que estão no navio, embora ainda não haja confirmação sobre quantos são. “Estamos em comunicação direta com os americanos a bordo e estamos preparados para fornecer assistência consular assim que o navio chegar”, disse um porta-voz, falando sob condição de anonimato.

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Detalhes da viagem e primeiras mortes

A bordo estão 88 passageiros e 59 tripulantes, após uma viagem que começou em 1º de abril, em Ushuaia, no sul da Argentina, com destino final a Cabo Verde. Após o governo cabo-verdiano negar autorização para desembarque, o navio permaneceu ancorado na costa africana desde domingo (3) e deixou a região na quarta-feira (6), com destino à Espanha. Especialistas enviados pela OMS, acompanhados de médicos holandeses e de um representante do ECDC (Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças), permanecem a bordo realizando exames, entrevistas epidemiológicas e rastreamento de contatos próximos.

Até agora, três pessoas morreram. O primeiro morto foi um homem holandês de 70 anos, que apresentou febre, dor de cabeça e diarreia poucos dias após o início da viagem. Ele morreu em 11 de abril, por insuficiência respiratória, quando o navio se aproximava da África. O corpo foi retirado em 24 de abril. A esposa dele, uma holandesa de 69 anos, desembarcou na mesma data e foi levada a um hospital em Joanesburgo, na África do Sul, já com sintomas. Ela morreu no dia seguinte. Segundo a operadora Oceanwide Expeditions, outros 30 passageiros também deixaram o navio em Santa Helena. A OMS alertou 12 países sobre o desembarque de cidadãos nessa parada: Reino Unido, Canadá, Dinamarca, Alemanha, Países Baixos, Nova Zelândia, São Cristóvão e Névis, Singapura, Suécia, Suíça, Turquia e Estados Unidos. Não há brasileiros a bordo.

A terceira morte foi a de um passageiro alemão, ocorrida a bordo em 2 de maio. Até o momento, apenas a mulher holandesa teve diagnóstico confirmado para hantavírus; as outras duas mortes seguem sob investigação. A empresa informou que todos os passageiros que desembarcaram em Santa Helena foram contatados. Entre eles, estavam ao menos sete britânicos e seis americanos.

Casos suspeitos e rastreamento internacional

Uma mulher que viajou no mesmo avião que a passageira holandesa antes de sua morte foi hospitalizada na Espanha com sintomas compatíveis com hantavírus. Segundo o secretário de Estado da Saúde da Espanha, Javier Padilla, ela estava no voo entre Joanesburgo e Amsterdã do qual a paciente precisou sair antes da decolagem. A mulher foi transferida para um hospital e permanece em isolamento, em um quarto com todas as precauções necessárias. Ela realizou exame PCR e aguarda o resultado.

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Diversos países estão se esforçando para evitar a disseminação do hantavírus. Autoridades rastreiam pessoas que já haviam desembarcado antes da detecção do vírus e qualquer pessoa que tenha tido contato próximo com elas. A Espanha coordena a chegada do navio, prepara voos de repatriação e reservou estrutura hospitalar para quarentena de seus cidadãos. Os Estados Unidos, além de anunciarem a retirada de seus cidadãos, afirmam manter contato direto com os americanos a bordo. O CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças) monitora a situação e considera o risco à população dos EUA extremamente baixo neste momento.

Na Holanda, autoridades acompanham pessoas que tiveram contato com a passageira holandesa morta após deixar o navio, incluindo tripulantes e passageiros que prestaram assistência. A Argentina anunciou que vai capturar e analisar roedores em Ushuaia, ponto de partida do cruzeiro, além de reconstruir o itinerário do casal holandês antes do embarque. O país também enviará 2.500 kits diagnósticos para laboratórios de cinco países.