Fragmentos de vidro em MG revelam impacto de meteorito de milhões de anos
Vidro em MG revela impacto de meteorito de milhões de anos

Fragmentos de vidro em MG revelam impacto de meteorito de milhões de anos

Fragmentos de vidro descobertos em Minas Gerais estão fornecendo evidências científicas cruciais sobre um antigo impacto de meteorito na Terra. O material raro, descrito em estudo publicado na revista Geology, foi formado quando rochas foram derretidas pela energia colossal da colisão e lançadas para a atmosfera antes de se solidificarem.

Mais de 600 fragmentos já identificados

Inicialmente concentrados em Minas Gerais, os fragmentos também foram encontrados na Bahia e no Piauí, ampliando a área conhecida de dispersão para mais de 900 quilômetros. Esses objetos são classificados como tektitos, materiais vítreos formados quando um impacto de meteorito gera calor suficiente para fundir rochas da superfície terrestre.

O material derretido é ejetado e se solidifica rapidamente enquanto se desloca pelo ar, criando essas formações geológicas únicas. A descoberta representa um avanço significativo na compreensão da história de impactos no território brasileiro.

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Como os fragmentos foram descobertos?

A investigação científica começou após um morador de Minas Gerais encontrar um desses fragmentos e procurar especialistas para identificar o objeto. O material foi analisado pelo meteorista Gabriel Silva, da Universidade de São Paulo, que inicialmente manteve cautela devido à possibilidade de se tratar de material importado.

Algumas semanas depois, no entanto, um segundo morador relatou um achado semelhante a cerca de 60 quilômetros do primeiro local. A partir daí, os cientistas solicitaram amostras e iniciaram análises laboratoriais detalhadas que confirmaram a origem impactítica do material.

Evidências científicas convincentes

Uma das evidências mais importantes foi a baixa presença de água nos fragmentos. Enquanto vidros vulcânicos normalmente contêm quantidades significativas de água, os fragmentos analisados apresentaram valores extremamente baixos, padrão típico de tektitos formados pelo calor extremo de um impacto.

Análises químicas também indicaram que o material derretido provavelmente veio de rochas graníticas do Cráton do São Francisco, uma das regiões geológicas mais antigas da América do Sul. Essas rochas já tinham cerca de 3 bilhões de anos quando foram vaporizadas pela colisão cósmica.

Quando e onde o impacto aconteceu?

A pesquisa indica que o evento ocorreu há até 6,3 milhões de anos. Os fragmentos foram apelidados de "geraisitos", em referência ao estado de Minas Gerais, onde foram identificados pela primeira vez. Campos de dispersão de tektitos são raros globalmente e representam evidências importantes para reconstruir a história de impactos na Terra.

Apesar das evidências robustas do impacto, a cratera responsável ainda não foi localizada. A extensão do campo de fragmentos e a origem das rochas fundidas sugerem que o local da colisão deve estar relativamente próximo da área estudada, mas até agora nenhuma estrutura compatível com a idade estimada foi identificada.

Segundo os pesquisadores, essa situação não é incomum no estudo de tektitos. Entre os campos conhecidos no planeta, apenas três têm crateras claramente associadas, destacando a complexidade dessas investigações geológicas.

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