Unicamp esclarece que vírus furtados não eram de alto risco respiratório
Unicamp: vírus furtados não eram de alto risco respiratório

Unicamp esclarece que vírus furtados em laboratório não representam alto risco respiratório

A Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) emitiu uma nota oficial neste sábado (28) para esclarecer que não realiza pesquisas com agentes respiratórios de alto risco, após a repercussão do caso envolvendo uma professora suspeita de furtar amostras de vírus dentro da instituição. Segundo a faculdade, os estudos em microbiologia concentram-se em vírus associados à contaminação de alimentos e água, que não possuem transmissão respiratória e se enquadram em níveis mais baixos de biossegurança.

Detalhes do caso e investigação policial

A professora doutora Soledad Palameta Miller foi presa em flagrante na segunda-feira (23) pela Polícia Federal, após a descoberta de amostras virais que teriam sido retiradas sem autorização de laboratórios da Unicamp. O material incluía vírus como H1N1 e H3N2, causadores da gripe tipo A, além de outros vírus humanos e suínos. Miller foi liberada na audiência de custódia e responderá ao processo em liberdade, com sua defesa alegando falta de materialidade na acusação e justificando o uso de laboratórios do Instituto de Biologia devido à falta de estrutura própria.

A investigação começou em 13 de fevereiro de 2026, quando uma pesquisadora autorizada do Laboratório de Virologia do Instituto de Biologia notou o desaparecimento de caixas com amostras virais. Em 23 de março, a Polícia Federal cumpriu mandados nos laboratórios da FEA, interditando temporariamente todos os espaços da faculdade. As amostras foram localizadas em três locais diferentes: na FEA, dentro de um freezer lacrado; no Laboratório de Doenças Tropicais, com tubetes manipulados no espaço reservado a Soledad; e no Laboratório de Cultura de Células, onde frascos descartados foram encontrados em uma lixeira.

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Esclarecimentos técnicos e institucionais

Em sua nota, a FEA enfatizou que pesquisas com agentes de maior risco biológico, como vírus respiratórios classificados no nível de biossegurança 3 (NB3), não fazem parte das atividades da unidade, exigindo infraestrutura especializada e autorizações específicas. A faculdade destacou que segue rigorosamente normas institucionais e de biossegurança, com atividades vinculadas a planos de trabalho aprovados, e que o vínculo institucional de docentes não autoriza automaticamente pesquisas fora dessas diretrizes.

A Unicamp instaurou uma sindicância interna para apurar os fatos, incluindo a verificação da aderência das atividades aos planos aprovados e o cumprimento das normas. A instituição reafirmou seu compromisso com a segurança biológica, integridade científica e transparência, colaborando integralmente com a Polícia Federal e outras autoridades competentes.

Envolvimento de terceiros e medidas de contenção

A Polícia Federal informou que o marido da professora, Michael Edward Miller, também é investigado por suspeita de envolvimento no furto, após ser flagrado por câmeras de segurança deixando o Laboratório de Virologia com caixas no fim de fevereiro. A FEA ressaltou que opiniões individuais de docentes não representam o posicionamento institucional e pediu cautela na interpretação das informações, para evitar confusão na imprensa e interferência nas investigações.

Este caso destaca a importância da biossegurança em instituições de pesquisa e a necessidade de rigor no manejo de materiais biológicos, especialmente em um contexto de crescente preocupação com pandemias e riscos à saúde pública.

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