Serviço Geológico mapeia fundo dos rios amazônicos em 3D com tecnologia inédita
SGB mapeia fundo dos rios da Amazônia em 3D com ecobatímetro

Serviço Geológico realiza mapeamento inédito do fundo dos rios amazônicos

Pela primeira vez na história, o fundo dos rios da Amazônia foi mapeado em três dimensões por um órgão público brasileiro. O Serviço Geológico do Brasil (SGB) utilizou tecnologia de ponta para gerar imagens detalhadas da morfologia fluvial, identificando estruturas submersas que antes eram invisíveis a olho nu.

Tecnologia avançada revela segredos do leito fluvial

O equipamento utilizado, chamado ecobatímetro multifeixe com backscatter, funciona emitindo múltiplos feixes sonoros em direção ao fundo dos rios. Esses sinais retornam com diferentes intensidades dependendo do tipo de sedimento ou estrutura encontrada, permitindo a criação de mapas tridimensionais precisos da topografia subaquática.

André Martinelli, gerente de hidrologia e gestão territorial da Superintendência Regional de Manaus do SGB, explicou que "esse ecobatímetro vai permitir entender a dinâmica fluvial dos rios amazônicos e melhorar a navegação na região". O aparelho, adquirido com recursos da Casa Civil e originalmente usado em estudos oceânicos, agora será aplicado sistematicamente nos rios da Amazônia.

Operação histórica percorreu 1.550 quilômetros

A operação de mapeamento ocorreu entre 28 de janeiro e 12 de fevereiro, totalizando 16 dias de trabalho intensivo. Durante esse período, técnicos especializados percorreram impressionantes 1.550 quilômetros na Região Metropolitana de Manaus, com avanços significativos pelo Rio Solimões.

O trabalho resultou em:

  • Mais de 170 horas embarcadas
  • Mapeamento de 91 km² de leito fluvial
  • Profundidades registradas de até 120 metros
  • Identificação de estruturas como pilares de pontes, oleodutos enterrados e erosões em fundações

Aplicações práticas para segurança e pesquisa

Os dados coletados já estão sendo utilizados para avaliar a segurança de infraestruturas submersas. "Observamos cabos ópticos, dutos de gás e pilares de pontes", destacou Martinelli. "O equipamento permite verificar se estão protegidos ou expostos, além de indicar se há necessidade de manutenção."

As aplicações do mapeamento incluem:

  1. Suporte à navegação fluvial na região amazônica
  2. Proteção de infraestruturas estratégicas como pontes, gasodutos e cabos de comunicação
  3. Ordenamento do uso do leito dos rios
  4. Pesquisas sobre erosão e transporte de sedimentos
  5. Estudo das dunas fluviais e seu papel no transporte sedimentar

Ferramenta crucial para eventos climáticos extremos

Martinelli ressaltou a importância do equipamento para entender os impactos das mudanças climáticas na região. "Nos últimos anos tivemos grandes cheias, como em 2009, 2012, 2014, 2019 e 2021, além das secas recentes", explicou. "Esse equipamento é mais uma ferramenta para entender como esses eventos afetam os rios e mensurar seus impactos."

O SGB informou que os resultados consolidados do mapeamento serão divulgados em até dois meses, incluindo artigos científicos, notas técnicas e mapas temáticos. A meta institucional é expandir o monitoramento para outras regiões do estado e transformar a iniciativa em uma política de Estado perene, garantindo monitoramento contínuo dos rios amazônicos.

Os dados coletados serão compartilhados com órgãos públicos federais, estaduais e municipais para embasar decisões relacionadas à segurança da navegação e proteção ambiental. Esta iniciativa representa um avanço significativo no conhecimento e gestão dos recursos hídricos da maior bacia hidrográfica do planeta.