Pesquisadores resgatam ossos de baleia de 14 metros no Amapá para coleção científica
Uma equipe de pesquisadores do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá (IEPA) concluiu com sucesso o resgate dos ossos de uma baleia-de-bryde (Balaenoptera brydei) que encalhou morta no final de julho de 2025. O animal, um macho impressionante de 14 metros de comprimento, foi encontrado na Ilha da Viçosa, em Chaves, no Pará, localidade que fica a aproximadamente quatro horas de barco da capital Macapá, no Amapá.
Operação complexa com logística desafiadora
A ação de resgate, que começou na quarta-feira, 25 de setembro, e se estendeu até o domingo, 29, envolveu uma logística meticulosa e consideravelmente complexa. O transporte de estruturas particularmente pesadas, como o crânio e a mandíbula do cetáceo, exigiu planejamento minucioso e a colaboração essencial de moradores locais. O barqueiro Alcindo Farias, conhecido como Chinoá, desempenhou um papel fundamental, sendo responsável por desenterrar parte dos ossos e auxiliar no deslocamento do material até Macapá, onde os estudos científicos serão conduzidos.
O biólogo e piloto de barco José Roberto Pantoja destacou as dificuldades de acesso ao local. "A profundidade do canal é muito baixa, limitando severamente o tempo de entrada e saída das embarcações. Temos uma janela de tempo bastante curta para manobrar. A profundidade chega a meros 50 centímetros, o que complica enormemente o transporte de materiais tão volumosos. Se perdermos o horário da maré, a única opção é retornar apenas no dia seguinte", explicou Pantoja, enfatizando os desafios logísticos superados.
Trabalho minucioso com ossos frágeis
Além das adversidades na navegação, o trabalho de escavação em si foi intenso e exigiu cuidado extremo. Alcindo Farias relatou que a equipe era pequena e precisou lidar com ossos em estado frágil. "Foi um trabalho realmente pesado, executado por uma equipe reduzida. Os ossos estavam frágeis e exigiram cuidado redobrado em cada manuseio. Ainda bem que as condições climáticas cooperaram e não choveu, o que nos permitiu retirar todos os ossos com sucesso", afirmou Chinoá.
Entre as estruturas resgatadas, o crânio da baleia, com aproximadamente 3 metros de comprimento, se destacou pelo seu tamanho impressionante, reforçando ainda mais o valor científico inestimável do material coletado.
Importância científica e próximos passos
A médica veterinária Larissa Sacramento, integrante da equipe, ressaltou a relevância fundamental deste registro para a ciência. "Buscamos constantemente informações detalhadas sobre a anatomia desses animais magníficos e percebemos que os dados são escassos. Por isso, cada registro como este é crucial. Estamos registrando e contando meticulosamente todos os ossos para verificar se o conjunto está completo e avaliar a viabilidade de montar o esqueleto posteriormente", declarou Sacramento.
O Projeto de Caracterização e Monitoramento de Cetáceos (PCMC) também participou ativamente da missão, realizando a contagem precisa dos ossos e auxiliando no transporte das estruturas mais pesadas e delicadas.
Após concluído o resgate, o material osséo passará por um rigoroso processo de limpeza e preparação. Em seguida, será oficialmente incorporado à renomada coleção osteológica do IEPA. Os pesquisadores já estudam ativamente a possibilidade de montar o esqueleto completo da baleia-de-bryde, que serviria como um poderoso instrumento para fins científicos, educativos e de divulgação, ampliando o conhecimento público sobre esta espécie.
Sobre a baleia-de-bryde
A baleia-de-bryde (Balaenoptera edeni) é uma espécie singular entre os grandes cetáceos. Medindo cerca de 15 metros e podendo pesar até 40 toneladas, ela é a única baleia que vive exclusivamente em regiões temperadas e tropicais ao redor do planeta. Diferentemente de suas primas migratórias, ela não realiza longas jornadas para regiões polares. Geralmente avistadas sozinhas ou em pares, estas baleias podem se agregar em grupos de até vinte indivíduos nas áreas ricas em alimento. São nadadoras ágeis, capazes de alcançar velocidades de até 25 km/h e de mergulhar a profundidades de cerca de 300 metros.



