Brasil dá passo inédito na produção de terras raras com entrega de primeiro lote nacional
O Brasil alcançou um marco histórico na disputa global por terras raras, minerais essenciais para a fabricação de carros elétricos, turbinas eólicas e dispositivos eletrônicos. Pela primeira vez, um laboratório brasileiro iniciou testes para produção de ímãs de alta potência utilizando matéria-prima extraída em solo nacional, visando estabelecer uma cadeia produtiva completa no país, atualmente dominada por nações como a China.
Entrega pioneira em Minas Gerais
A mineradora Meteoric entregou um lote de 20 quilos de carbonato de terras raras ao Centro de Inovação e Tecnologia para Ímãs de Terras Raras (CIT Senai ITR), localizado em Lagoa Santa, Minas Gerais. Este material, resultado de processos de extração realizados na planta piloto da empresa em Poços de Caldas, representa o primeiro lote de carbonato obtido de extração em terras brasileiras recebido pelo projeto, que tradicionalmente utiliza insumos importados.
O carbonato de terras raras é um composto intermediário derivado da lixiviação de argila iônica contendo os minérios, servindo como etapa crucial antes da separação dos elementos. A entrega faz parte de um acordo de parceria de cinco anos assinado em 2024, fortalecendo a colaboração entre a indústria e a pesquisa tecnológica.
Desenvolvimento tecnológico e industrial
O CIT Senai ITR é a primeira fábrica de ímãs permanentes da América Latina e integra o projeto MagBras, uma aliança que reúne empresas, startups, centros de inovação e universidades. Seu objetivo é criar uma cadeia produtiva sustentável de terras raras no Brasil, desde a extração mineral até a fabricação de ímãs finais, utilizados em motores de veículos elétricos, turbinas eólicas, smartphones e equipamentos médicos.
Segundo André Luis Pimenta de Faria, coordenador do CIT Senai ITR, a utilização de matéria-prima nacional permite validar, em escala piloto, a rota tecnológica com terras raras brasileiras. "Isso é extremamente relevante porque possibilita trabalhar com óxidos puros, redução para metal, produção de liga e fabricação de ímãs de NdFeB, avançando nas pesquisas de forma concreta", afirmou.
Qualidade e desafios futuros
Análises realizadas pela Meteoric indicam que o carbonato produzido no Planalto Vulcânico de Poços de Caldas possui alto teor de terras raras, com recuperações que atingem até 79%, superando a média global de 50%. Marcelo Carvalho, diretor executivo da empresa, destacou a qualidade do material e o potencial da região como um dos melhores depósitos do mundo.
O próximo desafio envolve desenvolver a separação dos minerais de terras raras a partir do carbonato, um passo fundamental para consolidar a produção industrial nacional. Enquanto isso, o centro de tecnologia continua utilizando material importado da China para garantir continuidade e segurança no fornecimento, construindo a base tecnológica necessária para transformar minerais estratégicos em produtos de alto valor agregado.
Este avanço coloca o Brasil em posição de protagonismo na corrida global por energia limpa, com potencial para reduzir a dependência externa e impulsionar a inovação em setores críticos da economia.
