Piauí investe R$ 8,7 milhões em pesquisas arqueológicas no semiárido e lança prêmio em homenagem a Niède Guidon
Piauí investe R$ 8,7 mi em arqueologia e cria prêmio Niède Guidon

Piauí destina R$ 8,7 milhões para pesquisas arqueológicas no semiárido e homenageia Niède Guidon com prêmio científico

Em uma visita histórica à Fundação Museu do Homem Americano (Fumdham), o presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Piauí (Fapepi), João Xavier, anunciou a liberação de R$ 8,7 milhões para pesquisas no semiárido piauiense. Este montante representa quase o triplo do investimento anterior, que era de R$ 3 milhões, e resulta de uma articulação entre a Fapepi, órgãos federais e o Instituto Nacional de Arqueologia, Paleontologia e Ambiente do Semiárido (Inapas).

Recursos para fortalecer a infraestrutura científica

O novo financiamento é composto por R$ 2,1 milhões do tesouro estadual, via Fapepi, e R$ 6,5 milhões do Governo Federal, viabilizados por uma chamada pública em parceria com o CNPq, MCTI e Capes. A renovação do acordo de cooperação foi celebrada como um marco essencial para a infraestrutura científica da região, permitindo a continuidade e o aprofundamento de estudos arqueológicos e ambientais.

"Estamos aqui mais uma vez honrando esse trabalho gigantesco da professora Niède Guidon para comemorarmos a renovação do Inapas. São valores de mais de R$ 8 milhões e esperamos que isso fortaleça os trabalhos e a memória da nossa querida Niède", destacou João Xavier durante o anúncio.

Para a professora e pesquisadora Gisele Daltrine, que recepcionou a comitiva da Fapepi, os recursos são vitais para a operação cotidiana da ciência na região. "A renovação deste acordo é extremamente importante porque aporta recursos aplicados para compra de equipamentos, para pesquisa e para equipe. Assim, a gente consegue dar continuidade e aprofundar as pesquisas nessa região, que é extremamente importante em termos culturais e ambientais. Como dizia a doutora Niède, é trabalho para muitas gerações", afirmou.

Prêmio Fapepi homenageia legado de Niède Guidon

Além do reforço orçamentário, a visita oficializou o lançamento do Prêmio Fapepi de Popularização da Ciência "Arqueóloga Niède Guidon". A honraria será entregue anualmente durante a Semana Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, reconhecendo esforços em tornar a ciência acessível ao público.

"É um reconhecimento que talvez a academia e a população não entendam que, um dos grandes trabalhos da professora Niède foi a popularização. Fazer uma pesquisa de nível internacional no semiárido piauiense parece impossível, e ela mostrou que sim, é possível", pontuou João Xavier, ressaltando que a criação do prêmio foi uma recomendação direta do governador Rafael Fonteles para imortalizar a obra da arqueóloga.

Gisele Daltrini enfatizou que a iniciativa ajuda a perpetuar a visão de desenvolvimento regional de Guidon, que sempre integrou ciência e comunidade. "Além de um reconhecimento, é uma forma de perpetuar as ações que a Niède fez ao longo dessas cinco décadas. Ela sempre acreditou que a ciência pode ser uma grande aliada ao desenvolvimento, desde a formação de guias e arqueólogos mirins até os projetos de arte-educação, como o ProArte", recordou a pesquisadora.

Objetivos futuros: turismo e desenvolvimento regional

A ideia, segundo Gisele, é manter o legado de trazer pesquisadores, estudantes e turistas para o bioma Caatinga, formando pessoas da própria região para dar continuidade ao trabalho. "O objetivo é fazer com que a região se desenvolva com um turismo bem planejado e com ações relacionadas à ciência e à cultura", finalizou.

Este investimento e a criação do prêmio representam um passo significativo na preservação do patrimônio arqueológico do Piauí e na promoção de um desenvolvimento sustentável baseado no conhecimento científico e na valorização da história local.