Formigas agricultoras transformam CO₂ em rocha no próprio corpo, revela pesquisa científica
Um estudo inovador realizado por pesquisadores descobriu que uma espécie de formiga consegue realizar um processo extraordinário: sequestrar o dióxido de carbono acumulado no ambiente e transformá-lo diretamente em rocha, incorporando o mineral ao próprio casco como uma espécie de "armadura biológica". A descoberta, que envolve a formiga Sericomyrmex amabilis, uma espécie agricultora nativa da América Latina, pode oferecer novos caminhos para o desenvolvimento de tecnologias de captura e armazenamento de carbono, consideradas essenciais no combate ao aquecimento global.
Como funciona o mecanismo de biomineralização nas formigas
As formigas agricultoras vivem em colônias densas e subterrâneas, onde a respiração tanto dos insetos quanto dos fungos que cultivam pode elevar drasticamente a concentração de CO₂ nas câmaras internas dos ninhos. Sem ventilação adequada, esse gás pode atingir níveis tóxicos para os próprios insetos. Segundo a pesquisa, a biomineralização atua como um sistema natural de "limpeza química" do ar do ninho, ajudando a reduzir esse acúmulo perigoso.
Ao transformar o CO₂ em carbonato sólido, o gás deixa de circular no ambiente interno, protegendo a colônia. O processo é particularmente incomum porque, enquanto a maioria dos animais que produz estruturas mineralizadas utiliza carbono dissolvido em fluidos corporais, no caso da S. amabilis, a conversão ocorre diretamente na superfície da cutícula. Esse mecanismo funciona como uma versão biológica acelerada do intemperismo geológico – processo natural em que rochas reagem com CO₂ atmosférico e formam minerais carbonatos, ajudando a regular o clima da Terra ao longo de milhões de anos.
Características da camada mineral e suas implicações
A camada mineral reveste quase todo o corpo do inseto, apresentando uma espessura que varia entre 7 e 20 micrômetros. Para efeito de comparação, um fio de cabelo humano tem, em média, cerca de 70 micrômetros de diâmetro, o que demonstra que se trata de uma camada extremamente fina. Apenas regiões que necessitam de maior sensibilidade ou flexibilidade, como as pontas das antenas e das pernas, ficam livres desse revestimento protetor.
Potencial para tecnologias de captura de carbono
A mineralização do carbono é considerada uma das formas mais estáveis de armazenamento de CO₂. Diferentemente do carbono capturado por plantas, que pode retornar rapidamente à atmosfera através da decomposição, o carbono incorporado a minerais pode permanecer estável por milhares de anos. Atualmente, cientistas em todo o mundo buscam maneiras de acelerar artificialmente esse tipo de processo para capturar e armazenar carbono de forma permanente, especialmente diante do aumento contínuo das emissões de gases do efeito estufa.
Os pesquisadores envolvidos no estudo acreditam que compreender como essas formigas conseguem formar dolomita rapidamente, em temperatura ambiente e sem condições extremas de pressão, pode ajudar a revelar caminhos químicos e biológicos ainda pouco explorados pela ciência. Embora uma colônia de formigas isolada não altere o clima do planeta em escala global, a descoberta demonstra que a natureza já realiza, de forma eficiente e natural, um tipo de engenharia química que a humanidade tenta reproduzir para enfrentar os desafios do aquecimento global.



