Aos 100 anos, David Attenborough celebra século de vida e legado ambiental
David Attenborough: 100 anos do maior documentarista da natureza

O documentarista David Attenborough completa um século de vida nesta sexta-feira, 8 de maio de 2026. O naturalista inglês tornou-se referência mundial na apresentação de documentários sobre a natureza e na conscientização sobre questões climáticas e preservação ambiental. Com mais de 70 anos de carreira, ele explorou florestas, mergulhou nos oceanos, conviveu com gorilas, visitou tribos isoladas, foi condecorado duas vezes pela realeza inglesa e continua sendo uma voz ativa na defesa do meio ambiente.

Origens e formação

Nascido na vila de Isleworth, oeste de Londres, David Attenborough cresceu ao lado do irmão Richard — vencedor do Oscar de Melhor Direção, falecido em 2014 — no campus da Universidade de Leicester, onde seu pai era diretor. Formou-se em Ciências Naturais pela Universidade de Cambridge em 1947 e cumpriu dois anos de serviço militar na Marinha Britânica. Em 1952, ingressou na BBC como trainee, iniciando sua trajetória na televisão.

Pioneirismo na TV

Attenborough logo colocou em prática sua criatividade e curiosidade para contar histórias do mundo natural. Em 1954, apresentou a pioneira série Zoo Quest, que combinava gravações em estúdio e em campo, levando animais como chimpanzés, pitons e pássaros pela primeira vez à televisão. Já reconhecido como personalidade da TV, levou uma cacatua ao jovem príncipe Charles e sua irmã Anne. Em 2023, ele admitiu à BBC que o pássaro tinha um bico muito poderoso e que poderia ter arrancado o dedo mindinho de Charles.

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Em 1965, como diretor do canal 2 da BBC, comandou a primeira transmissão colorida da Europa. Também encomendou o programa que se tornaria o fenômeno mundial de comédia Monty Python, estrelado por John Cleese, Michael Palin, Terry Jones, Eric Idle, Graham Chapman e Terry Gilliam.

Expedições inesquecíveis

Em 1971, o documentário A Blank on the Map mostrou Attenborough em contato com a tribo Biami, até então isolada na Nova Guiné. Ele se comunicou por gestos e observou os ornamentos pessoais dos nativos. A paixão pela natureza falou mais alto, e ele deixou o cargo de direção em 1972 para se dedicar integralmente aos programas sobre o mundo natural.

Em 1979, lançou A Vida na Terra, o primeiro programa a viajar pelo mundo para filmar animais em seus habitats naturais, com estimativa de 500 milhões de espectadores. Durante as gravações, teve um encontro memorável com uma família de gorilas nas montanhas Virunga, em Ruanda. Um gorila de três anos, apelidado de Pablo, sentou-se em seu colo, história que rendeu o documentário A História de um Gorila, lançado recentemente.

Exploração dos oceanos

Outro grande sucesso foi a série Planeta Azul (2001), que revelou imagens inéditas de criaturas marinhas raras, como o polvo-dumbo e o peixe-pescador (diabo do mar). Em 2015, ele fez o mergulho mais profundo já registrado na Grande Barreira de Corais, na Austrália, capturando imagens inéditas da região.

Era do streaming

Na era do streaming, Attenborough continuou relevante. Em 2019, narrou a série vencedora do Emmy Nosso Planeta. Em 2022, deu voz a Planeta Pré-Histórico na Apple TV+. Em 2026, permanece ativo com o documentário sobre os gorilas de Ruanda.

Defesa ambiental e reconhecimento

Attenborough admite que não começou os programas com intenção de conscientização, mas sim por fascínio. Com o tempo, abraçou a causa ambiental ao ver animais, plantas e habitats sob risco. Em 2020, no documentário Extinction: The Facts da BBC, declarou: “Ao longo da minha vida encontrei espécies extraordinárias. Só agora percebo a sorte que tive. Muitas destas maravilhas parecem prestes a desaparecer para sempre.”

Por sua contribuição à televisão e à conservação, foi condecorado cavaleiro duas vezes pela Coroa Britânica: em 1985 pela rainha Elizabeth II, e em 2022 pelo rei Charles III, que lhe concedeu o título de Cavaleiro da Grã-Cruz, o mais alto grau de cavalaria. No mesmo ano, recebeu o Prêmio Campeões da Terra da ONU e foi indicado ao Prêmio Nobel da Paz, ao lado do Papa Francisco e da Organização Mundial da Saúde.

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