Cientistas brasileiros conquistam lugar entre os mais influentes do mundo com pesquisas que transformam realidades
O reconhecimento internacional chegou com força para a ciência brasileira. Dois pesquisadores nacionais, Luciano Moreira e Mariangela Hungria, foram incluídos na prestigiosa lista das 100 pessoas mais influentes do mundo da revista Time em 2026. O destaque não é apenas uma conquista pessoal, mas um reflexo do potencial transformador da pesquisa científica desenvolvida no Brasil, com aplicações diretas na saúde pública e na produção de alimentos.
Do laboratório para a política pública: o combate à dengue
Na categoria "Inovadores", Luciano Moreira representa anos de dedicação a um problema de saúde pública que afeta milhões de brasileiros. Seu trabalho de 17 anos com o método Wolbachia desenvolveu uma técnica revolucionária: introduzir uma bactéria no mosquito Aedes aegypti que impede a multiplicação dos vírus da dengue, zika e chikungunya.
"É um grande privilégio, mas o que mais importa é mostrar que a ciência é o caminho para trazer proteção à população. A pesquisa brasileira pode salvar milhares de pessoas", afirmou Moreira, que já havia sido reconhecido pela revista Nature em 2025.
A relevância dessa pesquisa é ainda maior quando se considera o contexto histórico. Por décadas, doenças tropicais como a dengue foram negligenciadas pela comunidade científica internacional, afetando principalmente países em desenvolvimento. Desde os anos 2000, o Brasil registrou mais de 18 mil mortes por dengue e aproximadamente 25 milhões de casos, sobrecarregando o sistema de saúde.
Hoje, a inovação brasileira se tornou política pública. O país abriga a maior fábrica de mosquitos com Wolbachia do mundo, e o método é oficialmente reconhecido pelo Ministério da Saúde como estratégia de controle da dengue.
Revolução na agricultura: sustentabilidade e economia bilionária
Do outro lado do espectro científico, Mariangela Hungria foi reconhecida como "Pioneira" por seu trabalho de 34 anos com microrganismos do solo. A pesquisadora da Embrapa desenvolveu uma solução que substitui fertilizantes químicos por bactérias naturais, promovendo uma agricultura mais sustentável e econômica.
"Não tenho palavras para expressar a alegria de ter um reconhecimento desse, mas é um reconhecimento que não é só meu, é da pesquisa brasileira, é da ciência brasileira, é de instituições públicas que sempre investiram e acreditaram", declarou Hungria, engenheira agrônoma formada pela USP.
Seu trabalho na Embrapa Soja, em Londrina, no Paraná, resultou na identificação de bactérias que facilitam a fixação de nitrogênio nas plantações de soja. Esse nutriente é essencial para o crescimento das plantas, e a solução desenvolvida por Hungria deu origem a um produto chamado inoculante, que é misturado às sementes durante o plantio.
Os resultados são impressionantes:
- 85% das áreas de cultivo de soja no Brasil já utilizam o inoculante
- Economia de aproximadamente R$ 140 bilhões para os agricultores
- Redução significativa do impacto ambiental da agricultura
- Produtos biológicos mais baratos que os fertilizantes químicos
"Hoje, o agricultor economiza, já que os biológicos são muito mais baratos do que os químicos. E faz tudo isso de uma forma mais respeitosa com a natureza... melhorando a saúde do solo, deixando menos resíduos dos alimentos", explicou a pesquisadora.
O legado da ciência brasileira
As trajetórias de Moreira e Hungria demonstram como a pesquisa científica de qualidade pode transcender os laboratórios e gerar impactos tangíveis na sociedade. Enquanto um enfrenta um problema de saúde pública que afeta milhões, a outra revoluciona um setor fundamental da economia nacional, tornando-o mais sustentável e eficiente.
O reconhecimento pela Time serve como um importante indicador do valor da ciência produzida no Brasil. "É preciso agradecer à ciência, à pesquisa brasileira e a todos aqueles que nos ajudam a conduzir [o processo] de modo resiliente", finalizou Mariangela Hungria, destacando o caráter coletivo dessas conquistas.
Em um momento em que o mundo enfrenta desafios complexos na saúde e na produção de alimentos, o trabalho desses dois cientistas brasileiros oferece esperança e soluções concretas, provando que o investimento em pesquisa científica é fundamental para construir um futuro melhor para todos.



