Fóssil de anfíbio herbívoro de 280 milhões de anos é descoberto no Piauí e Maranhão
Anfíbio herbívoro de 280 milhões de anos descoberto no PI e MA (30.03.2026)

Descoberta paleontológica revela anfíbio herbívoro que habitou o Brasil há 280 milhões de anos

Uma nova espécie de anfíbio, que viveu na Terra muito antes dos dinossauros, foi identificada a partir de fósseis encontrados nos estados do Piauí e Maranhão. A descoberta, que remonta a aproximadamente 280 milhões de anos, representa um marco significativo para a paleontologia brasileira e internacional.

Pesquisa internacional com coordenação brasileira

O estudo foi conduzido por uma equipe internacional de pesquisadores dos Estados Unidos, Argentina, Alemanha, África do Sul e Reino Unido, sob a coordenação do professor Juan Carlos Cisneros, da Universidade Federal do Piauí (UFPI). Natural de El Salvador e naturalizado brasileiro, Cisneros destacou o caráter pioneiro da pesquisa no hemisfério Sul.

"Esse período é reconhecido e extensivamente estudado por cientistas, mas as pesquisas concentram-se no hemisfério norte. Na América do Sul, a investigação é notavelmente escassa", explicou o coordenador. "Por isso me dediquei a esse projeto, pois são poucas as pessoas que querem conhecer os animais que viveram antes dos dinossauros."

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Longo processo de investigação

A apuração iniciou ainda em 2012, quando o primeiro fóssil de mandíbula do animal foi achado no município de Pastos Bons, no Maranhão. Ao longo de mais de uma década, os pesquisadores coletaram e analisaram um total de nove mandíbulas fósseis, que representam a única parte encontrada deste antigo anfíbio.

As escavações bem-sucedidas ocorreram em três municípios:

  • Nazária, no Piauí
  • Timon, no Maranhão
  • Pastos Bons, no Maranhão

Características únicas do anfíbio

Segundo os pesquisadores, esta espécie representa o anfíbio herbívoro mais antigo já identificado no mundo. O animal se alimentava de folhas e frutas, uma característica rara para anfíbios daquele período.

O estudo, publicado na renomada revista científica internacional Proceedings of the Royal Society B no dia 17 de março, revela que o anfíbio mantém características consideradas primitivas, sendo classificado como um tetrápode basal.

Os pesquisadores utilizam o termo "bizarro" para descrever aspectos anatômicos incomuns do animal, incluindo:

  1. Mandíbula com formato irregular
  2. Dentes projetados lateralmente
  3. Estrutura dentária adaptada para alimentação herbívora

Significado da descoberta

A espécie recebeu um nome que significa "mandíbula que mora no rio", em referência às suas características únicas e ao ambiente onde vivia. Para o professor Cisneros, esta descoberta abre caminho para novas investigações paleontológicas no Brasil.

"Este fóssil, junto com outros que temos achado recentemente, abre caminho para mais descobertas", afirmou o pesquisador. "Temos nove mandíbulas desse animal, encontradas entre 2012 e 2023 no Piauí e Maranhão, que nos permitiram reconstruir parte de sua história."

A pesquisa representa um avanço significativo no entendimento da biodiversidade pré-histórica brasileira e destaca a importância do Nordeste do Brasil como um rico depósito de fósseis que podem revelar segredos sobre a vida na Terra antes dos dinossauros.

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