Nova espécie de anfíbio herbívoro de 280 milhões de anos é descoberta no Piauí e Maranhão
Anfíbio herbívoro de 280 milhões de anos achado no PI e MA

Descoberta de anfíbio herbívoro de 280 milhões de anos no Nordeste brasileiro

Uma nova espécie de anfíbio herbívoro, denominada Tanyka amnicola, que viveu há aproximadamente 280 milhões de anos, foi identificada por pesquisadores após um estudo extensivo de fósseis encontrados nos estados do Piauí e Maranhão. A pesquisa, que se estendeu por mais de uma década, envolveu análises detalhadas de nove mandíbulas fósseis localizadas entre 2012 e 2023 nos municípios de Nazária (PI), Timon (MA) e Pastos Bons (MA).

Colaboração internacional e desafios na identificação

Segundo o coordenador do estudo, Juan Carlos Cisneros, da Universidade Federal do Piauí (UFPI), o processo exigiu paciência e precisão, pois não havia fósseis comparáveis disponíveis no Brasil. "Tivemos que recorrer a museus na América do Norte e na Europa para confirmar que se tratava de uma nova espécie", explicou Cisneros. O trabalho incluiu etapas meticulosas de limpeza, preparação e consolidação dos fósseis, realizadas com o apoio de técnicos estrangeiros, e cada mandíbula foi analisada individualmente para assegurar a correta identificação.

Pesquisadores de diversos países participaram do estudo, incluindo cientistas dos Estados Unidos, Argentina, Alemanha, África do Sul e Reino Unido, destacando a natureza colaborativa da descoberta.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Características únicas e implicações científicas

Apesar de ainda não terem sido encontrados esqueletos completos, todas as mandíbulas analisadas apresentaram características idênticas, confirmando que pertencem à mesma espécie. A análise revelou traços distintivos do anfíbio, como dentes projetados para os lados e uma mandíbula irregular, indicando que o animal se alimentava de folhas e frutas—uma característica inédita entre anfíbios fósseis conhecidos.

Juan Carlos enfatizou que descobertas como esta demandam tempo e rigor científico. "Todo o processo é longo e caro, mas necessário para apresentar resultados confiáveis", afirmou o pesquisador. O estudo foi publicado em 17 de março na revista científica internacional Proceedings of the Royal Society B.

Impacto na paleontologia brasileira

Os cientistas envolvidos ressaltam que esta pesquisa reforça o potencial do Nordeste brasileiro para novos estudos paleontológicos e contribui significativamente para a compreensão da evolução dos anfíbios. A descoberta sublinha a importância de investimentos contínuos em ciência e colaboração global para desvendar a história natural do planeta.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar