Estudante do Amapá conquista Prêmio Jovem Cientista com inovação sustentável para a Amazônia
A jovem pesquisadora Manuelle da Costa Pereira, de 23 anos, estudante do Instituto Federal do Amapá (Ifap), fez história na última quinta-feira (26) ao receber em Brasília o 31º Prêmio Jovem Cientista, uma das mais prestigiadas premiações científicas do Brasil. Ela venceu na categoria Ensino Superior com um projeto revolucionário: um kit de energia solar portátil desenvolvido especificamente para castanheiros da região amazônica.
Primeira amapaense a alcançar o reconhecimento nacional
Manuelle se tornou a primeira pesquisadora do estado do Amapá a conquistar este prêmio de grande magnitude, representando com orgulho sua instituição de ensino e sua terra natal. "Esse projeto tem muita identidade. Ele fala muito de quem eu sou, de onde eu vim. Nasceu no coração da Amazônia, em Laranjal do Jari, onde nasci e cresci", emocionou-se a estudante durante a cerimônia de premiação.
Inovação que transforma a realidade das comunidades extrativistas
O projeto nasceu durante sua graduação em Engenharia Florestal a partir das demandas concretas das comunidades que vivem do extrativismo na Amazônia. O kit solar portátil foi desenvolvido para substituir os tradicionais motores a diesel, que apresentam múltiplos problemas:
- Alto custo de operação e manutenção
- Significativa poluição ambiental
- Peso excessivo que dificulta o transporte
Após diversas etapas de prototipagem, a solução final reduziu drasticamente o peso do equipamento - de aproximadamente 1.000 litros para apenas 50 litros - permitindo que seja transportado em uma simples mochila. Com custo estimado em R$ 2.800 e utilizando bombonas descartadas reaproveitadas, o kit atende às necessidades básicas dos castanheiros:
- Iluminação para atividades noturnas
- Preparo de alimentos
- Comunicação em áreas remotas
Reconhecimento internacional e alinhamento com metas globais
O projeto já ganhou visibilidade internacional, tendo sido apresentado na COP 30, conferência das Nações Unidas sobre mudanças climáticas realizada em Belém, no Pará. A iniciativa busca concretamente reduzir a pegada de carbono e fortalecer a sociobioeconomia amazônica. "Nosso objetivo é transformar a expectativa em realidade: um equipamento acessível, adaptado às necessidades locais e capaz de reduzir a pegada de carbono", explicou Manuelle, destacando a necessidade de financiamento e apoio institucional para ampliar o impacto da solução.
Trajetória de desenvolvimento e próximos passos
A pesquisa teve início em 2022 com o apoio de uma bolsa de Iniciação Tecnológica do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). No ano seguinte, Manuelle e seu orientador, Diego Armando Silva, registraram o kit como modelo de utilidade no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). O desenvolvimento contou com financiamento crucial da Fundação de Amparo à Pesquisa do Amapá (Fapeap), que viabilizou:
- Processo de prototipagem
- Aprimoramento técnico do equipamento
- Testes em campo com comunidades reais
O projeto está perfeitamente alinhado com os princípios da iniciativa Amazônia 4.0 e com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável estabelecidos pela Organização das Nações Unidas. A próxima etapa focará no aperfeiçoamento do equipamento para ampliar sua eficiência e alcance nas diversas comunidades extrativistas da região.
Esta conquista não apenas celebra o talento individual de uma jovem cientista, mas também demonstra o potencial transformador da pesquisa aplicada às necessidades reais das populações tradicionais, unindo inovação tecnológica, sustentabilidade ambiental e desenvolvimento social na região mais biodiversa do planeta.



