Historiador desvenda mistérios do Rio: da pirâmide da Linha Amarela à praia de Irajá
Mistérios do Rio: pirâmide, Realengo e praia de Irajá revelados

Historiador desvenda cinco mistérios urbanos do Rio de Janeiro em Dia da Mentira

No dia 1º de abril, tradicionalmente conhecido como Dia da Mentira, o programa Bom Dia Rio apresentou uma investigação especial sobre lendas e verdades que permeiam a história da cidade maravilhosa. O historiador Thiago Gomide foi convidado para esclarecer cinco curiosidades envolvendo regiões emblemáticas do Rio, separando fatos históricos de mitos populares.

A enigmática pirâmide da Linha Amarela

A construção de formato piramidal que chama a atenção de quem trafega pela Linha Amarela tem uma origem espiritual pouco conhecida. Localizada em Água Santa, na Zona Norte do Rio, a estrutura foi erguida para ser a sede da fraternidade Fiat Lux, um centro dedicado a sessões de cura e energização.

Segundo Gomide, a associação foi fundada no Leblon em 1975 por um místico conhecido como Papalus de Atenas. Embora não se saiba a data exata do início da obra, problemas financeiros impediram sua conclusão, resultando no abandono do projeto. Desde a inauguração da Linha Amarela em 1997, a pirâmide inacabada continua despertando curiosidade, especialmente devido ao seu difícil acesso.

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Realengo: a verdade por trás do nome

Um dos mitos mais difundidos sugere que o nome do bairro de Realengo, na Zona Oeste, teria origem na expressão "Real Engenho". O historiador desmente essa versão, explicando que o termo vem de "terras realengas", ou seja, terras pertencentes ao rei português.

A região funcionava como uma área de passagem entre a Quinta da Boa Vista e a Fazenda Imperial de Santa Cruz, servindo como caminho real com pastos para descanso de animais durante viagens.

Campo Grande: o império da laranja

A fama de Campo Grande como "Citrolândia" tem fundamento histórico sólido. Entre o início do século XX e a década de 1940, o bairro foi um dos maiores produtores e exportadores mundiais de laranja, fato que impulsionou sua modernização e povoamento.

Essa herança é preservada através de uma escultura de laranja descascada instalada no bairro, que hoje é considerado o maior do Brasil em extensão territorial. A produção citrícola também marcou a história da vizinha Nova Iguaçu.

Encantado: a lenda do rio que desaparecia pessoas

Circula a lenda de que o bairro do Encantado recebeu esse nome porque o Rio Faria, que corta a região, "encantava" pessoas e carroças durante enchentes, fazendo-os desaparecer. Gomide afirma que esta é apenas uma narrativa folclórica, sem confirmação histórica sobre a relação direta entre o nome do bairro e o comportamento do curso d'água.

Irajá: a praia que existiu na Zona Norte

Contrariando a percepção atual, o bairro de Irajá, na Zona Norte, realmente abrigou uma praia no passado. Conhecida como Praia da Moreninha, a formação ficava às margens do Rio Irajá, próximo às atuais Cordovil e Bonsucesso.

O local surgia do encontro do Rio Irajá com o Rio Meriti e diversos córregos, que funcionavam como vias de transporte de mercadorias durante o período colonial. A área foi aterrada e desapareceu com a construção da Avenida Brasil, mas permanece como parte da memória histórica da cidade.

Através dessas revelações, o historiador Thiago Gomide demonstra como a história do Rio de Janeiro é composta por camadas de fatos e narrativas que continuam a fascinar moradores e visitantes, mesmo em plena era da informação.

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