O superintendente do Conjunto Hospitalar de Sorocaba (CHS) compareceu à Câmara Municipal e reconheceu publicamente os problemas enfrentados pela unidade, nesta terça-feira (28). A sessão ocorreu um dia após a Câmara considerar inconstitucional a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar denúncias de negligência, mortes suspeitas e superlotação no hospital.
CPI barrada por inconstitucionalidade
Na quarta-feira (22), treze vereadores assinaram o pedido de abertura da CPI. Durante a semana, os parlamentares e a Mesa Diretora entraram em acordo para que o pedido passasse pelo setor jurídico da Câmara. Contudo, o parecer jurídico concluiu que a CPI era inconstitucional, pois os vereadores não podem tratar diretamente de assuntos relacionados ao CHS, por se tratar de um hospital estadual. Essa é a terceira vez que um pedido de CPI na área da saúde não avança na Câmara de Sorocaba.
Denúncias que motivaram o pedido
A CPI visava apurar três pontos principais: mortes suspeitas e possíveis falhas no atendimento; superlotação e uso inadequado de leitos; e atrasos em cirurgias que podem ter agravado o estado de saúde dos pacientes. A investigação foi impulsionada por um dossiê de 40 páginas apresentado pelo vereador Ítalo Moreira (Missão), após uma audiência pública em abril. O documento reúne fotos, depoimentos e reportagens sobre a situação do hospital.
Casos emblemáticos
Entre os casos que motivaram a investigação está a morte de um bebê após o parto no CHS, noticiada pelo g1 em fevereiro. Parentes de pacientes internados também reclamam das condições da unidade, e a direção reconhece problemas estruturais, como superlotação e falta de insumos.
Histórico de CPIs na saúde
Há dois meses, os vereadores arquivaram dois pedidos de abertura de Comissão Processante (CP) contra o prefeito Rodrigo Manga (Republicanos), investigado por suspeitas de desvio de verbas em contratos da área da saúde no município. A situação reforça a dificuldade de investigar problemas na saúde pública local.



