Um casarão erguido em 1920 mantém vivas as memórias de Juazeiro do Piauí, município conhecido como 'Capital das Pedras'. A edificação, que atualmente abriga a Casa da Cultura, conserva objetos e documentos fundamentais sobre a origem da cidade e foi um dos destaques do programa Piauí de Riquezas, da TV Clube, exibido no último sábado (2).
Localização e características
Localizada na região Norte do estado, inserida no semiárido nordestino, a cidade possui pouco mais de 5 mil habitantes e é reconhecida pelo estilo de vida simples e acolhedor. O nome Juazeiro do Piauí teria sido inspirado em um pé de juá que existia em frente à residência do empresário e pecuarista João Pereira Dutra, por volta de 1920.
A árvore símbolo
Em 1960, devido ao lajeiro raso, a árvore original, de grande porte, tombou, deixando raízes expostas e o tronco deitado. Por volta de 1973, a planta não resistiu a uma forte estiagem e morreu. Nessa mesma época, foi plantada uma nova muda, que permanece viva até os dias atuais.
Casa Dutra: de comércio a centro cultural
A poucos metros da árvore está a Casa Dutra, que passou a ser chamada de Casa da Cultura. De acordo com o historiador Ricardo Vasconcelos, o imóvel foi um dos primeiros estabelecimentos comerciais da região. No local, os visitantes encontram peças antigas que ajudam a reconstruir esse passado. Entre os itens expostos estão telhas originais, pregos retirados do teto antigo, lamparina, rádio, ferro de passar, fotografias e documentos históricos da família Dutra. O casarão também guarda figurinos e adereços ligados às manifestações culturais do município.
“As paredes são largas, feitas de pedra, e há um alpendre, então ela tem toda uma arquitetura diferenciada”, explicou Ricardo Vasconcelos.
Pecuária e personagens históricos
A história de Juazeiro do Piauí também está ligada à pecuária, atividade que contribuiu para o povoamento local. Nesse contexto, o vaqueiro teve papel fundamental ao conduzir o gado por grandes áreas e ajudar no sustento das famílias. Um desses personagens é Francisco Luís, conhecido como Chico Necósio, que relembrou a rotina no antigo curral do casarão. “Eu colocava a vaca de tarde, tirava o leite de manhã e soltava de manhã de novo. Era essa a vida”, contou.
Próximo ao imóvel, um pé de juá plantado por Chico Necósio em 1973 reforça a ligação entre a cidade e a árvore que inspirou seu nome.



