Cadeirante é arrastada em estrutura improvisada para sair de casa no AC
Cadeirante arrastada em estrutura improvisada no AC

Cadeirante precisa ser arrastada em estrutura improvisada para sair de casa no AC

Moradores do Ramal da Judia, no bairro Belo Jardim I, em Rio Branco, denunciam as condições precárias de acesso e relatam dificuldades diárias para sair de casa, especialmente durante o período de chuvas. Entre os afetados está a cadeirante Raimunda Veríssimo, de 53 anos, que faz tratamento oncológico no Hospital do Câncer do Acre (Unacon) e depende do uso do equipamento para se locomover.

A força-tarefa para Raimunda conseguir sair de casa consiste em ser colocada em uma cadeira de balanço adaptada, que é arrastada por uma pequena passarela de madeira construída pelos próprios moradores, até um ponto onde ela consegue acessar a cadeira de rodas. Tudo isto em meio a um caminho tomado por mato e lama.

O g1 procurou a Secretaria Municipal de Infraestrutura de Rio Branco (Seinfra) para saber se há previsão de manutenção no Ramal do Judia e nas vias citadas pelos moradores e aguarda retorno.

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Dificuldades diárias

De acordo com Raimunda, apesar da estrutura improvisada, o trajeto até o carro é feito por uma via sem pavimentação, com lama e poças d’água, o que dificulta a locomoção e suja a cadeira de rodas. “Tenho que passar por isso direto. Preciso ser arrastada até a cadeira de rodas, fica tudo melado de lama por conta das condições aqui do Beco do Açaí. As equipes que acompanham meu tratamento não entram aqui. Nem a enfermeira vem mais para fazer os curativos. Somos esquecidos”, relatou.

Ela contou ainda que a rotina é marcada por dor e dificuldades. “Tem dia que minha perna incha, fico com dor e preciso sair. É muito difícil. Minha cadeira de rodas já quebrou por causa disso. Só anda se for puxando de ré, por causa da lama. É um sofrimento”, completou.

Moradores se unem para minimizar problemas

Segundo a dona de casa e moradora da Travessa do Açaí, Francilina Conceição, que vive no local há quase quatro anos, a situação se repete anualmente. A moradora complementou que a última vez que a prefeitura fez serviços de roçagem no local foi em janeiro de 2024, há mais de dois anos. Além disto, em períodos mais críticos, o acesso fica comprometido ao ponto de impedir a entrada de veículos. Os moradores, inclusive, chegaram a fazer um abaixo-assinado pedindo melhorias urgentes.

“Tem dias não da para sair de casa, porque não tem condição de passar com transporte dentro dos buracos. Quando melhora um pouco, é porque os próprios moradores se juntam, juntam o dinheiro que podem e colocam restos de construção nos buracos”, disse.

Acesso a serviços básicos comprometido

Francilina também afirmou que a falta de manutenção afeta inclusive os atendimentos de emergência no local. Os vídeos também mostram outros pontos críticos do ramal e de vias próximas, com buracos e grandes poças de lama. Em um dos registros, uma moradora questiona como crianças conseguem passar pelo local para ir à escola sem se sujar.

“Quando alguém fica doente, não tem como uma ambulância entrar, porque atola. Até viatura da polícia já ficou presa aqui há um tempo atrás. É impossível ter condições básicas desse jeito”, relatou.

Francilina relembrou ainda dificuldades enfrentadas no início deste ano, durante o nascimento do filho. Todas as ruas da área enfrentam problemas semelhantes. “Quando fui ganhar bebê, em janeiro, nenhum carro quis entrar aqui, nem ambulância. Tive que sair andando no meio da lama. Depois da cirurgia, para voltar para casa, precisei chamar meu sogro, porque ninguém queria entrar. A gente fica abandonado. Não tem uma travessa asfaltada. É tudo lama, mato. Nos sentimos sapos. Todo mundo passa por isso aqui”, contou.

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