Ambientalistas e moradores protestam contra criação de parque na Serrinha do Paranoá
Um protesto organizado por moradores e ambientalistas tomou conta do Distrito Federal nesta semana, em defesa da preservação integral da Serrinha do Paranoá. A mobilização ocorre após a publicação de decreto autorizando a criação do Parque Distrital da Serrinha do Paranoá, medida anunciada pela governadora Celina Leão (PP) e publicada em edição extra do Diário Oficial do DF nesta terça-feira (7).
Controvérsia sobre áreas protegidas
A Associação Preserva Serrinha, principal entidade organizadora do protesto, argumenta que a área incluída no projeto de criação do parque distrital não corresponde à mesma extensão territorial que havia sido originalmente incluída no plano de socorro ao Banco de Brasília (BRB). Segundo os ambientalistas, isso permitiria que a gleba A – avaliada em cerca de R$ 2,2 bilhões – continue sendo utilizada no projeto de capitalização do banco público.
"A população não participou da definição da área do parque, que consideramos pequena em comparação ao tamanho real da Serrinha do Paranoá", afirma representante da associação, que teme pela preservação efetiva do ecossistema local.
Detalhes do decreto e gestão do parque
O decreto publicado estabelece diretrizes específicas para a nova unidade de conservação, incluindo:
- Recuperação de áreas degradadas
- Proteção integral da fauna local
- Incentivo a atividades sustentáveis como trilhas, ciclismo e educação ambiental
- Elaboração de plano de manejo com participação comunitária
A gestão do Parque Distrital da Serrinha ficará sob responsabilidade do Instituto Brasília Ambiental (Ibram), que terá prazo de até dois anos para elaborar o plano de manejo da unidade, conforme determinação legal.
Histórico da controvérsia
A polêmica envolvendo a Serrinha do Paranoá remonta ao governo anterior, quando o terreno de 716 hectares foi apontado como o maior e mais valioso lote incluído na proposta para salvar o BRB. O então governador Ibaneis Rocha (MDB) classificou a controvérsia como resultado de uma "guerra de ambientalistas" contra a solução apresentada para o banco.
Com a posse de Celina Leão, houve mudança significativa no discurso oficial. No último dia 1º, o GDF anunciou publicamente a retirada da Gleba A da Serrinha do Paranoá do plano de capitalização do BRB. "Acho que tem coisas que a gente não pode negociar. O meio ambiente é uma delas", declarou a governadora durante agenda oficial.
Divergência cartográfica
Mapas divulgados pelas partes envolvidas mostram claramente a divergência territorial:
- A área da Terracap (gleba A) aparece destacada em laranja nos materiais dos ambientalistas
- O parque criado pelo GDF aparece representado em amarelo, com extensão significativamente menor
Esta diferença cartográfica é o cerne da disputa, pois os ambientalistas argumentam que as duas áreas não são equivalentes, mantendo assim a possibilidade de uso da gleba mais valiosa para fins financeiros.
Posicionamento oficial e silêncio do GDF
Em nota divulgada anteriormente, o Governo do Distrito Federal afirmou que "assegura a preservação ambiental da região, considerada sensível e de grande relevância ecológica". O comunicado oficial também destacou a determinação da governadora para criação do Parque da Serrinha, garantindo "destinação definitiva da área para conservação e uso sustentável".
No entanto, questionamentos específicos do g1 sobre as alegações da Associação Preserva Serrinha não obtiveram resposta do GDF até o fechamento desta reportagem. A ausência de esclarecimentos oficiais sobre a equivalência das áreas mantém a tensão entre poder público e movimentos ambientalistas.
O protesto desta semana marca mais um capítulo na longa disputa pela preservação da Serrinha do Paranoá, ecossistema de importância fundamental para o equilíbrio ambiental do Distrito Federal e que continua no centro de debates sobre desenvolvimento urbano versus conservação ecológica.



