Despejo de esgoto in natura no Rio Sorocaba é confirmado pela Polícia Ambiental após denúncia
Esgoto in natura despejado no Rio Sorocaba por sistema canalizado

Despejo de esgoto in natura no Rio Sorocaba é confirmado pela Polícia Ambiental

A Polícia Militar Ambiental confirmou o despejo de esgoto sem tratamento no Rio Sorocaba, localizado no bairro Parque São Bento, na zona norte de Sorocaba, no estado de São Paulo. A ação foi desencadeada após uma denúncia feita pelo portal g1, que alertou sobre a situação crítica de contaminação ambiental. A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) também esteve presente no local para coletar amostras da água e avaliar o nível de poluição.

Problema persistente há anos na região

Segundo apurações do g1, o despejo irregular de esgoto in natura ocorre há pelo menos três anos na área conhecida como Chácara do Mineiro. A situação é especialmente alarmante porque o bairro fica próximo a duas Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs), o que destaca a falha na infraestrutura de saneamento básico. A Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP) informou que a Polícia Militar Ambiental foi ao local na segunda-feira, dia 2, para investigar a denúncia.

No local, a equipe policial confirmou que canos estavam despejando esgoto doméstico diretamente no rio e também encontrou descarte irregular de lixo. Um relatório detalhado foi enviado à Cetesb para que medidas necessárias fossem tomadas imediatamente. A Cetesb, por sua vez, afirmou que já negocia uma solução com a prefeitura de Sorocaba e com a empresa de saneamento responsável pela área, além de ter multado o serviço de esgoto da região anteriormente por infrações similares.

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Investigações e ações emergenciais em andamento

Nesta terça-feira, dia 3, técnicos da Cetesb coletaram novas amostras de água para avaliar o nível da alteração na qualidade do rio e, com base nos resultados, adotar novas medidas corretivas. O Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) de Sorocaba também está envolvido, com suas equipes investigando para identificar a origem exata do despejo irregular. A autarquia prometeu executar um plano de correção emergencial assim que o ponto de descarte for localizado.

A apuração do g1 revelou que parte da rede irregular de esgoto foi construída durante a noite, indicando uma tentativa de ocultação. No total, a área investigada possui mais de oito pontos de descarte de esgoto no rio, alguns com canos escondidos pela mata ou submersos, o que dificulta a detecção e o combate ao problema.

Estruturas de "ladrões" agravam a contaminação

Para evitar que o esgoto volte para as casas quando a rede entope, foram construídos dispositivos conhecidos como "ladrões" ou extravasores. Essas estruturas funcionam como válvulas de escape e despejam o esgoto diretamente na mata, de onde escorre para o rio sem qualquer tratamento. A reportagem encontrou pelo menos seis desses "ladrões" no fim de várias ruas do bairro, a cerca de 20 metros do Rio Sorocaba.

O trecho afetado do rio fica no extremo norte da cidade e não é responsável pelo abastecimento de bairros de Sorocaba, pois os pontos de captação de água estão localizados acima do rio. No entanto, o problema persiste porque a região da Chácara do Mineiro é muito baixa, o que impede o esgoto de chegar por gravidade às estações de tratamento. A solução técnica seria instalar uma estação para bombear os dejetos, mas essa medida ainda não foi implementada.

Importância do Rio Sorocaba e impactos ambientais

Com 180 quilômetros de extensão em linha reta, o Rio Sorocaba é o principal afluente da margem esquerda do Rio Tietê. Ele nasce na Serra de São Francisco, em Ibiúna, e é formado pela confluência dos rios Sorocabuçu, Sorocamirim e Uba, além de outras pequenas nascentes, até o primeiro represamento na Represa de Itupararanga, em Votorantim (SP). O rio corta diversas cidades, como Iperó, Tatuí, Boituva, Cerquilho e Jumirim, antes de desaguar no Rio Tietê, em Laranjal Paulista (SP).

A contaminação por esgoto in natura representa um grave risco ambiental, afetando a biodiversidade aquática e a qualidade da água em uma bacia hidrográfica significativa. As autoridades continuam monitorando a situação, com foco em medidas corretivas e preventivas para evitar futuros despejos irregulares e proteger os recursos hídricos da região.

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