Temporal em Sumaré provoca alagamentos severos e resgate de famílias com botes
Um temporal intenso atingiu a cidade de Sumaré, no interior de São Paulo, na noite de quarta-feira (25), causando alagamentos generalizados que obrigaram o Corpo de Bombeiros a realizar o resgate de diversas famílias utilizando botes. A chuva torrencial, que acumulou 69 milímetros entre 19h de quarta e 7h de quinta-feira (26), alagou completamente uma rua do bairro Vila Diva, deixando casas e veículos submersos e provocando uma enxurrada significativa no Jardim Denadai.
Resgate emergencial e situação crítica
O resgate emergencial foi conduzido pelo Corpo de Bombeiros, com o apoio da Defesa Civil, que esteve na área prestando assistência às famílias afetadas pela enchente. Até o início da tarde desta quinta-feira, a água ainda não havia baixado totalmente, mantendo a situação de alerta. De acordo com o sargento Erick de Pádua, do Corpo de Bombeiros, as equipes de resgate priorizaram a retirada de pessoas em maior situação de risco e vulnerabilidade, como mulheres, crianças e idosos.
"A gente voltou, verificando casa por casa, e vendo se mais alguém tem interesse em sair, ou não — tendo em vista que algumas casas ficam em locais mais reservados, e as pessoas acabam não querendo sair da residência", explicou o profissional. Além disso, a corporação orientou os moradores a não circularem pelas ruas alagadas, devido ao risco de acidentes pela falta de visibilidade do chão.
Relatos de moradores e prejuízos recorrentes
Moradores da região relataram à EPTV, afiliada da TV Globo, que os alagamentos são recorrentes e ocorrem sempre que o Ribeirão Quilombo transborda, tomando toda a via. A aposentada Maria Aparecida Borges descreveu a situação com desespero: "A casa está alagada. Cama, já foi tudo, já molhou tudo mesmo erguendo. Foi muito rápido, dessa vez, subiu muito rápido. O guarda-roupa, eu tive que mandar fazer de alvenaria, porque eu cansei de perder guarda-roupa. Cama, então nem se fala".
Elane Lima Campos, que teve que ser resgatada junto com sua avó de 88 anos, dona Francisca, expressou o medo que a situação provoca: "A gente fica até com medo, por isso que minha avó saiu agora também, porque não tem condições dela ficar lá dentro. A gente aguardando alagar para correr mais risco ainda". Ela também destacou os transtornos na rotina, afirmando que não é a primeira vez que o rio transborda com a chuva.
Problema persistente e danos materiais
Luciano Dimas Santos, outro morador, ressaltou que, apesar de recentemente o Ribeirão Quilombo ter sido limpo, o problema de alagamento é persistente e causa prejuízos constantes para os residentes. "Cara, todo ano a gente perde geladeira, perde fogão, perde somente sofá. A parte do sofá fica boiando, cara. [...] Mas no ano passado, a gente ficou boiando. A geladeira ficou boiando, o sofá teve que jogar no lixo. Então, todo ano todos os moradores têm prejuízos constantes aqui, quando acontecem essas chuvas", explicou.
Além dos danos materiais, a água suja e a impossibilidade de circulação afetam diretamente a vida cotidiana, impedindo que as pessoas saiam para trabalhar e mantenham suas rotinas normais.
Outros pontos afetados pela tempestade
A tempestade também causou estragos em outras cidades da região. Em Monte Mor (SP), o transbordamento de córregos alagou 70 residências, deixou moradores desalojados e ilhados, e arrastou um carro com três ocupantes, que foram resgatados com ferimentos leves. Em Hortolândia (SP), foram registrados 70 milímetros de chuva, resultando em sete pontos de alagamento, quatro casas atendidas e três quedas de muros. Já em Paulínia (SP), um condomínio ficou alagado após o transbordamento de um lago na região do Betel, forçando moradores a deixarem seus imóveis.
Esses eventos destacam a vulnerabilidade das áreas urbanas frente a fenômenos climáticos extremos e a necessidade de medidas preventivas para mitigar os impactos de futuras tempestades.



