Rio Juruá atinge 13,96 metros e desabriga 15 famílias em Cruzeiro do Sul, no Acre
Rio Juruá sobe e desabriga famílias em Cruzeiro do Sul, Acre

Rio Juruá atinge nível crítico e desabriga famílias em Cruzeiro do Sul

O Rio Juruá segue em ascensão contínua na cidade de Cruzeiro do Sul, localizada no interior do estado do Acre, provocando uma situação de emergência que já afeta aproximadamente 19,6 mil pessoas. A elevação das águas resultou na remoção de quinze famílias, que agora estão abrigadas em locais providenciados pela prefeitura ou em residências de parentes.

Nível do rio ultrapassa alerta máximo

Nesta quinta-feira, dia 2, o manancial registrou uma marca preocupante de 13,96 metros, representando um aumento de 11 centímetros em relação ao dia anterior. É importante destacar que o nível de alerta máximo estabelecido para o rio é de 13 metros, patamar que foi ultrapassado já na segunda-feira, dia 30.

No total, a cheia impacta diretamente ou indiretamente 4.991 famílias, distribuídas por doze bairros da zona urbana, outras quinze comunidades rurais e três vilas, todas sob monitoramento constante da Defesa Civil municipal.

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Abrigos e assistência às famílias desabrigadas

Treze famílias encontram-se abrigadas na Escola Municipal Rita de Cássia, situada no bairro do Cruzeirão, e na Escola Municipal Corazita Negreiros, localizada no bairro Cobal. As outras duas famílias optaram por se refugiar em casas de parentes. Ao todo, 62 pessoas estão desabrigadas e instaladas nos locais disponibilizados pela gestão municipal, que possuem capacidade para receber até dezesseis famílias.

A remoção das famílias teve início na tarde da última segunda-feira, dia 31. Nos abrigos, serão fornecidas refeições completas, incluindo café da manhã, almoço e jantar, além de atendimento social especializado. Paralelamente, a energia elétrica foi suspensa para 323 famílias como medida de segurança.

Escolas preparadas para abrigar mais desabrigados

Caso o número de desabrigados continue a aumentar, a prefeitura definiu as seguintes unidades escolares como potenciais abrigos:

  • Escola Rita de Cássia, no bairro Cruzeirão;
  • Escola Marcelino Champagnat, no bairro João Alves;
  • Escola Padre Arnould, na AC-405, bairro Nossa Senhora das Graças;
  • Escola Corazita Negreiros, no bairro Telégrafo;
  • Escola Estadual Cívico-Militar Madre Adelgundes Becker, no bairro Miritizal.

As aulas nessas unidades serão suspensas imediatamente assim que começarem a receber as famílias afetadas pelo aumento das águas.

Áreas afetadas e outros rios em situação crítica

A Defesa Civil informou que, além do Rio Juruá, os rios Croa, Juruá Mirim e Valparaíso também estão sendo afetados pelo aumento das águas. Na zona urbana, os locais atingidos incluem os bairros Remanso, Várzea, Olivença, Mitirizal, Beira Rio, Lagoa, Manoel Terças, Cruzeirinho, São Salvador, Saboeiro, Centro e Boca do Moa.

Já as comunidades rurais impactadas são: Centrinho, Tapiri, Humaitá do Moa, Praia Grande, Laguinho, Florianópolis, Laguinho do Carvão, Estirão do Remanso, São Luiz, Lago do Sacado, Simpatia, Ramal do Escondido, Boca do Moa, Tatajuba, Mujú e Uruburetama. As vilas afetadas são Lagoinha, Assis Brasil e Santa Rosa.

Contexto histórico e cheias recentes

Historicamente, o período de maior ocorrência de cheias em Cruzeiro do Sul situa-se entre o fim de fevereiro e o início de março, com registros também ao longo de abril. Nos últimos anos, as primeiras retiradas de famílias costumam ocorrer quando o rio atinge entre 13,50 metros e 13,60 metros.

Recentemente, no dia 17 de janeiro deste ano, o município enfrentou uma cheia que afetou cerca de 1.650 famílias, aproximadamente 6,6 mil pessoas. Desse total, ao menos 139 famílias ficaram sem energia elétrica e, consequentemente, sem acesso à água potável. Cinco dias depois, no dia 22, o manancial saiu do cenário de alerta máximo.

Já no dia 31 de janeiro, o Rio Juruá ultrapassou novamente a cota de transbordo ao atingir 13,12 metros. Dias depois, em 2 de fevereiro, o nível chegou a 13,49 metros, mantendo o município em alerta máximo, conforme informado pela Defesa Civil Municipal. Na ocasião, mais de 6 mil moradores foram afetados direta ou indiretamente pela cheia, com 1.650 famílias enfrentando prejuízos causados pela inundação, tanto na zona urbana quanto na zona rural do município.

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Além disso, a prefeitura decretou situação de emergência no dia 20 de janeiro, com a publicação oficial ocorrendo seis dias depois, após uma sequência de chuvas intensas que provocou o transbordamento dos rios da região e afetou a rotina de moradores da zona urbana e rural. A última enchente registrada ocorreu no dia 24 de fevereiro, há mais de um mês, quando o manancial marcou 13,17 metros e atingiu nove bairros e oito comunidades rurais.