Rio Juruá mantém nível crítico e afeta mais de 28 mil pessoas em Cruzeiro do Sul
O Rio Juruá começou a apresentar uma ligeira vazante em Cruzeiro do Sul, no interior do Acre, registrando 13,84 metros na medição das 6h desta segunda-feira (6). No entanto, apesar da redução de 23 centímetros em comparação com o dia anterior, o manancial permanece acima da cota de transbordo, que é de 13 metros, mantendo a situação de emergência na região.
Impacto humano e deslocamentos
Segundo a Defesa Civil Municipal, a cheia já afeta diretamente 28.350 pessoas no município, totalizando 7.087 famílias atingidas de forma direta ou indireta. Atualmente, 62 famílias continuam fora de suas casas, sendo que 59 estão abrigadas em locais de acolhimento temporário. A remoção dos moradores teve início na tarde da última terça-feira (31), com os abrigos fornecendo café da manhã, almoço, jantar e atendimento social integral.
Além das remoções, foi necessária a suspensão da energia elétrica para 186 famílias como medida de segurança. As áreas impactadas incluem 12 bairros da zona urbana, 15 comunidades rurais e três vilas do município, todas recebendo monitoramento constante e assistência humanitária.
Abrigos e suspensão de aulas
A prefeitura definiu seis escolas como abrigos oficiais:
- Escola Rita de Cássia, no bairro Cruzeirão
- Escola Marcelino Champagnat, no bairro João Alves
- Escola Padre Arnoud, na AC-405, bairro Nossa Senhora das Graças
- Escola Thaumaturgo Azevedo, no bairro do Alumínio
- Escola Corazita Negreiros, no bairro Telégrafo
- Escola Estadual Cívico-Militar Madre Adelgundes Becker, no bairro Miritizal
As aulas nestas unidades serão suspensas imediatamente assim que começarem a receber as famílias atingidas pelo aumento das águas, garantindo a segurança e o bem-estar dos desabrigados.
Decreto de emergência estadual
Diante da gravidade da situação, o governo do Acre decretou situação de emergência em seis municípios no último domingo (5). A medida, publicada em edição extra do Diário Oficial do Estado, abrange Cruzeiro do Sul, Feijó, Mâncio Lima, Rodrigues Alves, Tarauacá e Plácido de Castro. O decreto tem validade de 180 dias e segue para reconhecimento pelo governo federal.
O documento detalha que "a situação de inundação atual é caracterizada por um aumento significativo e exponencial dos níveis dos rios Purus, Tarauacá, Envira, Juruá, Iaco e Abunã, acarretando custos consideráveis para a população vulnerável". A medida permite ainda a edição de normas complementares para ações durante todo o período de emergência.
Abastecimento de água e outros rios afetados
Com a elevação do Rio Juruá, o Serviço de Água e Esgoto do Estado do Acre (Saneacre) realizou na última sexta-feira (3) uma ação emergencial para garantir o abastecimento de água potável às famílias afetadas. A distribuição foi feita por caminhão-pipa no bairro da Várzea, uma das regiões mais impactadas.
Segundo o órgão, o fornecimento pela rede pública é interrompido em áreas alagadas para evitar a contaminação da água tratada. Nesses casos, o abastecimento alternativo é adotado como medida essencial para garantir água segura para consumo e uso doméstico.
A Defesa Civil informou ainda que os rios Croa, Juruá Mirim e Valparaíso também apresentam elevação significativa no nível das águas, ampliando o alcance da crise hídrica na região.
Contexto histórico e cheias recentes
Historicamente, o período de maior ocorrência de cheias em Cruzeiro do Sul ocorre entre o fim de fevereiro e o início de março, com registros eventuais ao longo de abril. Nos últimos anos, as primeiras retiradas de famílias costumam ocorrer quando o rio atinge entre 13,50 metros e 13,60 metros.
Esta não é a primeira cheia significativa do ano. No dia 17 de janeiro, o município passou por uma inundação que afetou cerca de 1.650 famílias, aproximadamente 6,6 mil pessoas. Na ocasião, ao menos 139 famílias ficaram sem energia elétrica e consequentemente sem acesso à água potável.
Já no dia 31 de janeiro, o Rio Juruá ultrapassou a cota de transbordo ao atingir 13,12 metros, mantendo o município em alerta máximo conforme a Defesa Civil Municipal. A última enchente significativa ocorreu no dia 24 de fevereiro, quando o manancial marcou 13,17 metros e atingiu nove bairros e oito comunidades rurais.
A cota de transbordo foi ultrapassada inicialmente na última segunda-feira (30), quando o rio registrou 14,10 metros na sexta-feira (3), afetando naquela ocasião 4.991 famílias e 19,6 mil pessoas. Os números demonstram a rápida escalada da crise nas últimas 72 horas.



